quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Recifeando e Olindeando

Recife, o carnaval e os pernambucanos são incríveis.
Quero morar aqui quando eu crescer.
Maguebeat, maracatu, frevo.
Olinda.
RECbeat.
Rua da moeda, da guia, do bom Jesus.
O marco Zero.
Brennand.
Paço da alfândega.
Os arrecifes.
Praia de Boa Viagem.
O mar cheio de tubarão.
E o carnaval mais raiz que já vi.


Depois da Ana Paula, fiquei na casa do Raphael do couchsurfing, e não poderia ter sido melhor. A família dele é super gente boa, e o Andrew, um gringo gente fina que fala português com sotaque de pernambucano.
No segundo dia chegou o Aaron, um texano que ficou por aqui também. Que se enrolava todo pra chegar nas meninas, já que não fala nada de português. Boas companhias pro carnaval.

Uma coisa é certa, é impossível encontrar com alguém se não se está na mesma casa durante o carnaval.

Depois de milhões de créditos gastos, centenas de mensagens enviadas e recebidas e desencontros (é rapaz, Olinda é complicado) encontrei com o memorável Moura só no show do Nação Zumbi no pólo da Várzea.
E perdido um outro dia na ladeira dos cearenses (085) em Olinda.

O André, um amigo de Buenos Aires, se complicou e não pode ir para o Carnaval.

Em breve tô chegando em Fortaleza, ainda vão me aturar por mais um tempo.

Mas antes de Fortaleza ainda tenho um longo caminho a seguir... tenho que pensar no próximo destino: João Pessoa.



Mosteiro de São Bento, Olinda.











Em sua esperada volta, Jesus compra caipirinhas.











 Muita gente. Muito calor. Muita doidera. Muito de tudo!










Alguns dos Borats que invadiram o carnaval de Olinda.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

RECIFE!


Finalmente Recife!
O César me deixou num bairro longe lá. E peguei um busão pro Centro.


Tava super de boa pra sair caminhando por aí. Até que conversei com um cara no ônibus que peguei pra vir ao centro:
- é desce aí no ponto, vai pela avenida guararapes, e vc vai ver o predio dos correios, aí atravessa a ponte (do galo) e já ta no centro.
- valeu mesmo cara.
- mas toma cuidado. se opovo gritar. "arrastão!" tu sai correndo e entra numa loja.
-... (engoli seco) ok.

Agora tô aqui, tentando falar com minha mãe, esperando alguém gritar "arrastão!", pegar o endereço de uma amiga dela, ir lá tomar um banho. E ver que diabos eu vou arrumar agora que tô na capital do frevo! Momentaneamente sozinho!



Estou decidindo também, se fico por aqui mesmo, esperando o Mamão e o Moura chegarem, ou se vou lá pra Fortaleza. Ou pra Natal.
E volto quando eles chegarem.

Quero deixar a mochila em algum lugar. Pra já começar a aproveitar aqui. O bicho tá pegando. A cidade tá parada. E o frevo rolando solto!

Amanhã show do Jorge Ben, Cordel e Zé Ramalho.


O problema agora é achar essa amiga da minha mãe mesmo. O Couchsurfing me deixou na mão... Tá congestionado. Sem sinais de que volta logo. :(

Fotos, ponho logo. Esqueci o cabo da camera e o adaptador do cartão. Show né.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Cangaceiros

Trocamos de caminhão. Despedi do Junior e do Portugues.
Em breve vou lá pra Sertânia visitá-lo.

Resolvemos dormir por ali mesmo.
E saímos bem cedo rumo a Recife.


Cruzamos todo o sertão da Bahia. Parando em alguns lugares para uma água, ou um lanche.
Fiquei impressionado com a paisagem. Cerrado sem fim.
Nenhuma plantação. Só aquela vegetação típica de gramíneas, vegetação rasteira. A perder de vista. Só a flor de mandacaru, pra mudar o tom da seca.

Vi muita plantação de cacto. Eles cultivam agora, pra na seca, fazerem farinha e dar pro gado comer.

Passei por muita ponte sobre rios que há anos não tem água. E vi muita carcaça em decomposição.

Velho Chico

Na divisa da Bahia com o Alagoas, o César parou o caminhão pra eu atravessar a ponte caminhando.
Era o São Francisco. Surpreendente, a água extremamente verde. E calmo. E aqueles paredões sem fim. Do outro lado da ponte, a usina de Paulo Afonso.

Íamos pela estrada tensa, que ninguém passa, porque todo mundo conhece alguem que já foi assaltado ali.
E a cada placa, ia dando graças por nao ter passado ali de noite. Muita placa com buraco de bala.
Até por uma cidade que chama Espingarda, passamos.

Seguimos pelo sertão do Alagoas e chegamos até Garanhuns.


Seguimos até Garanhuns (a terra do cara) e por lá passamos a noite. Faz frio em Garanhuns! E penei ali sem coberta e sem agasalho. Solução foi cobrir com as roupas que eu tinha...

Só falta chegar em Recife e tá fazendo frio lá também!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Milagres e apuros

Até Jequié, eu tinha vindo na minha suíte. Capotado. Estava morrendo de cansaço.
A minha suíte era o caminhão de cima. Cada um, estava levando dois caminhões zerados, um eles iam dirigindo, e o outro como carga. E lá fui eu.

Depois eu desci. E nem animei a subir de novo. O Português dirigia indestemidamente. Tá doido. Melhor ir ali mesmo, pra ver, e ir conversando com ele mesmo. Opinando em cada ultrapassagem.

Paramos em Milagres, para tomar um sucão que é famoso lá.
Pedi de Umbu, 70 centavos.

O Português era bem louco no volante.

- aó ó, limite máximo aqui é 60km. olha quanto que eu tô. experiência é outra coisa...
e lá iamos a 100km/h.

E as ultrapassagens então, de filme! Seguimos viagem, com eu firmemente agarrado na porta, e com o cinto de segurança mais justo o possível.

Na chegada do Posto Fiscal de Feira de Santana:

- Vei, vei, não dá pra ir não.
Aquele reta interminável, uma fila de carro absurda, e ele querendo cortar.
- que isso rapaz, mole pra nós.
- dá não, dá não...
Um caminhão apontando lá na outra ponta da pista, vindo na nossa direção.
Mas ele foi.
Se eu peidasse eu explodia, tenso. Com aquele clássico efeito Doppler de buzina, no final dessas ultrapassagens milagrosas.

Paramos no posto.E fui lá carimbar a nota.
Aí vem um gordo baixo, com sotaque de Alagoas:
- tu que tá naquele caminhão lá? e aponta pro nosso dois andares.
- é uai.
- então tu é um cabra muito do filho da puta!
- ...
- tu não tem vergonha nessa sua cara não seu cabra safado.
E veio pra cima de mim. Dei uma corrida pra trás, sem entender nada! "Que porra é essa!" pensei.
- Tu nao é homi não bicho? Me fez sair da pista ali ó. - Aos berros.
Caiu a ficha. Se eu vi Jesus na ultrapassagem do Português, o Severino ali viu Jesus, 9 dos 12 apóstolos e Maria fazendo o moonwalking.
- cara não sou eu que tô dirigindo não.
- então o cabra é mais safado ainda, que te mandou aqui porque tá com medo!

saiu batendoo pé, entrou no caminhão. E foi.
Eu fui voltando pro caminhão.
Quando vi o Severino que pra mim, depois do susto, seguiria viagem, encostou ao lado do caminhão do Português.
Pronto. Vai sair tiro.
Apetei o passo pra tentar apaziguar.
Mas a confusão já tava lá. Uns caminhoneiro chegaram lá pra apaziguar também. Tiro não saiu.
Nem porrada. Porque o Português nengou até o fim que tinha sido ele.
- foi tu sim cabra safado!
- que eu nada, quantidade de caminhão aí na estrada.

O Severino voltou no caminhão, e eu gritei:
- Bora agora! esse cara volta aí traz uma arma gente tá fudido!

E partimos... cantando pneu, naquela agilidade toda de uma carreta dando partida.

Fomos até logo depois de Feira.
Depois do sufoco.

 Depois dali já iamos trocar de caminhão. O Jr. seguiria com o Portugues até Petrolina, e eu com o César até Recife.
A dúvida do César era passar pela BR101, que vai pelo litoral, ou pela BR 110, que vai por Tucano, Paulo Afonso, e corta o Alagoas. A 101, tá cheia de obras, e é muito movimentada, íamos demorar muito. Optou pela 110 então.
E a 110, segundo todos ali era muito tensa. Até o César tava com medo.
- ali é cangaceiro mesmo. recorde de assalto a caminhoes. povo tem dó não. passa niguém lá. desertidão pura.

César tinha uma carona pro voltar do Recife para o Rio que saía de lá 12h. Então ele tinha que chegar lá até esse horário.E queria passar a noite na estrada do cangaço.
- tá doido rapá. - eu né,desesperado.
- nada bicho, tenho que voltar 12h do recife.

Pois é. Íamos correr o risco de ser pegos pelos cangaceiros.
Nem com o Júnior pondo mais medo ainda na gente:
- ônibus ali só passa em escolta?
- escolta?
- é uai em bando.
- bando?
- é eles vao em bando de oito. um atrás do outro. só assim.

Fuck.

Direto para Recife

Alí eu tava frito. Se eu não arrumasse carona, teria que dormir na escada do Posto Fiscal, porque até a lanchonete de um posto há 3km dali, não era 24h.

Sempre que lembrava disso me empenhava mais a conseguir carona.
Tive muitas negações... Caminhoneiro tem medo. Por ali ocorrem muitos assaltos a caminhões, e a maioria das companhinas adotam medidas de segurança, como travar as portas do carona. Se o motorista abrir, a central é imediatamente informada, e liga perguntando porque foi aberta a porta.

Tentei então nao paracer com um assaltante. Peguei meu mapa, caderno, lápis, e fiquei ouvindo música. Com o mochilão sempre a vista. Sei lá, pra mim,dessa forma, eu não pareceria um bandido.

E ia pedindo, um a um.

- arruma carona até feira amigo? to saindo de minas aí. viagem larga... vê se dá essa força.
- pô já estamos ajudando esse rapazinho aí ó...
- se der pra me ajudar... agradeceria demais mesmo.
- vamo ver.

Claro que não daria. Sentei na mureta do posto. Quando escuto a buzina, e o coroa me chama.

Adeus posto fiscal!

E fomos desenrolando viagem afora. Não só tive a sorte de sair do posto fiscal, como arrumei o esquema dos esquemas.
Ele, o Português, tava indo até Petrolina. E o amigo dele, que tava no outro caminhão até Recife. Sim. Recife.
Chegando em Feira de Santana, que onde a estrada separa, o mulek ia pro caminhão doPortuguês, e ele disse que não teria problema eu ir com o amigo dele até Recife!

Nem acreditei! Assim, até quarta feira, bem antes do esperado já estaria no carnaval de Recife!

 Numa parada pra gente almoçar, em Poções, fiquei sabendo da história do mulek. Tava vindode São Paulo, 21 anos, voltando pra Sertânia em Pernambuco. Tinha ido trabalhar numa empresa lá que seria o futuro certo. Porém foi uma enganação. O salário não era o esperado, não tinha alojamento, e não tinha auxílio nenhum.
Tomou coragem e decidiu voltar pra Sertânia. Sem dinheiro.
Ficou dois dias em Além Paraíba elá encontrou o Português e o César. Estava há dois dias sem comer (o cara da lanchonete negou até resto de comida) e eles se sensibilizaram com o pedido do mulek (que chama Junior).
É, mais um entre tantos que vão pra São Paulo, mas entre tantos, um dos poucos que conseguem voltar.

Em cada parada, gente ia conversando um tanto. E o mulek era gente fina ainda.
Me convidou pra ir lá em Sertânia comer a buchada de bode do vó dele e disse que me ensina a tocar zabumba e uns instrumentos doidos lá.
Expectativa pra ligar o motor e passar a marcha.
O caminhão liga!

Show!

Seguimos até o destino onde a gente deveria ter passado a noite anterior. No Faisão, em Águas Vermelhas, última cidade mineira antes de entrarmos na Bahia.

Chegando no Faisão, o Jr. pediu pra eu descer do caminhão, porque tinha um cara lá emoutro caminhão da empresa que não podia ver que ele tava dando carona.
É caminhoneiro, que trabalha em caminhão de empresa, não pode dar carona. Mas a maioria dá. É muito solitário ficar viajando por aí, 8 horas, 10 horas por dia. E é sempre bom ter alguém pra conversar, diminui a distância.

Desci fora do posto e ele foi lá estacionar o caminhão.
Mas não é que o cara do outro caminhão viu que ele tava comigo de carona.

- tu tá levando carona é junior.
- que isso cara. o mulek que ajudou com o caminhão que tava com defeito lá em itaobim, e pediu pra eu trazer ele no posto fiscal ali de vitoria da conquista. só isso. ter que ajudar o mulek né.
- é tem que ajudar.

Estava lá no restaurante do posto. E vem o "amigo" e o Jr.
O cara veio todo todo, querendo encostar o Jr. na parede (o Jr. não sabe mentir...), e pra tirar a verdade de mim.
- muleque, tu tá indo pra onde.
Olho pro Jr. e ele transparescendo um desespero.
Eu eu sei lá o que o Jr. havia falado com ele. Qualquer coisa que eu falasse ali, poderia atrapalhar demais o Jr.e o pela saco, era insistente.

- mmm. falei eu.

e nem sei de onde tirei isso. mas fiz uma imitação tosca e patética do jornal visual.
não sei Libras, e o cara muito pouco. na primeira dúzia de sinais que eu fiz. a cara embasbacada do cara. e o jr solta.
- viu, tá indo pra vitória!
- e tu lá sabe linguagem de surdomudo rapaz...
- mais ou menos. mas ele me ajudou escrevendo num papelzinho.

Só sei que deu certo. E ficamos rindo depois da sorte e de como bizarro foi aquilo.

Deu pra ele escapar da mentira. Mas mesmo assim, não ia ter como me levar até Feira.
E me deixou no Posto Fiscal de Vitória da Conquista.

Daqui vou tentando carona até Feira de Santana. Se de lá eu não arrumar, durmo na casa do Jr (to com o telefone dele).


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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carona até Feira!

Filtro solar e plaquinha de Vitória da Conquista em mãos.
Em uma hora parou uma carreta.
Cara tava indo pra Feira de Santana.
O Júnior Washington, baiano arretado que só a porra.

Aí que eu percebi que não fala baianês. O cara tinha que repetir três vezes, pra eu entender.

- rapaz tu é doido demais que só a porra. tu não tem medo não bichinho?
- nada cara... vou me arrumando aí. e a idéia é tentar chegar em recife antes do galo sair.

O galo. O famoso Galo da Madrugada.

- tá doido...

E ficou lá me chamando de doido a viagem toda. Falando naquele baianês que tava difícil de entender.
Mas já deu pra sacar o que ia me esperar até então, cada música mais doida que a outra. E um tal de Zezo foi tocando a viagem toda.


Logo na arrancada saindo de Valadares, o caminhão já mostrou que ia dar trabalho a viagem toda.
Parou na subida, e o Jr. teve que deixar ele voltar de ré, pra arrancar de novo.

- rapaaaaz. esse caminhão parece que vai dar a doida.

E deu mesmo. Em quase toda subida larga tivemos que voltar, pra arrancar de novo.
Ou subir de terceira, a 5km/h. Agilidade pura e total. Desse jeito ia chegar em Feira uns 3 dias depois.

Chegamos em Itaobim e o caminhão decidiu morrer de vez por ali. Falha no sistema do botão que precisa apertar pra marcha descer.
Solução, dormir por ali mesmo. E esperar para que a carreta reaja, no outro dia, pra gente tocar viagem.


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