sábado, 16 de agosto de 2014

Oi mãe, tô no Silvan Alves

Bem, o Silvan Alves é o Datena versão blogueiro de Muriaé. Não há nada que aconteça por lá que não seja documentado por ele. Acidentes de trânsito, crimes, fusões empresariais, a viagem daquela socialite pra Disney e atividades culturais, inclusive, claro, um documentário maravilhoso feito por dois muriaeenses.

Vou publicar aqui a matéria que saiu no site dele sobre o "Estradas Gerais".

Abaixo vou deixar o doc para quem quiser assistir.

Documentário dos Muriaeenses Matheus Peçanha e Ronan Rangel será exibido hoje às 14h30 no Canal Futura




O documentário “Estradas Gerais”, realizados pelos muriaeenses, Matheus Peçanha e Ronan Rangel será exibido nesta terça-feira as 14h30 dentro da programação do Sala de Notícias do Canal Futura. “Estradas Gerais” aborda a vida de diversos caminhoneiros nas estradas de Minas, por meio de uma abordagem pessoal e instimista. Durante dias os dois jovens viajaram pelo estado de carona, entrando em contato com a vida cotidiana destes trabalhadores e coletando histórias e amizades. “Foi uma experiência de contato único. Existem histórias maravilhosas na vida comum de qualquer pessoa. Os caminhoneiros são a história viva de nossa cidade e de nosso estado, e merecem um olhar atento aos seus desafios cotidianos” diz Matheus Peçanha, diretor do projeto.

O trabalho nasceu como um desdobramento do trabalho de conclusão do curso em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense, cursado por Matheus. O projeto foi então selecionado pelo Edital Curtas Universitários do Canal Futura, da rede Globo, que garantiu sua estreia na TV.
“É uma experiência distinta do curta-metragem, pois o filme já nasceu sendo exibido de forma ampla e acessível”, explica Matheus, que em 2012 dirigiu junto de Paulo Vinícius Luciano o curta-metragem “Do Lado de Fora”, exibido em mais de 30 festivais de cinema, e em países como Cuba, Portugal, Paquistão e Bolívia.

“Há muitos elementos maravilhosos na experiência de se filmar na estrada. Não há nada pré-definido, apenas o acaso que se transforma em elemento criativo” explica Ronan Rangel, produtor e roteirista do programa. “Como viajamos de carona, havia sempre uma pré-disposição grande dos amigos que paravam na estrada e nos levavam. Aos poucos contávamos do projeto, e desta experiência surgiam inúmeras histórias”, reforça Ronan.
Segundo os realizadores, a ideia agora é transformar o projeto em um telefilme. Além disso, ainda este ano Matheus Peçanha filma um novo curta-metragem em Muriaé, durante o segundo semestre.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Marcha da maconha 2014, Rio de Janeiro



A abordagem pela grande mídia no que diz respeito a marcha que ocorreu no último sábado, no Rio, deixa claro o seu posicionamento frente às novas discussões que envolvem o trato referente a essa droga.

Não foi publicada nem uma nota, nem uma matereriazinha sequer, nem uma foto em nenhum meio de comunicação de massa do Rio.

Nem pra falar mal!

Pretende claramente, a grande mídia, que não haja nem uma discussão, pretende-se que tal assunto seja dado como morto, que os preconceitos já constituídos no imaginário popular ali se mantenham, intocados.

A grande mídia entende que tal discussão deve ser mantida em círculos específicos, e que essas discussões ali sejam mantidas tal como em caixas estanques.
Dessa forma, boa parte da população alheia às discussões mais profundas no que tange às pautas reinvidicadas, não tem nem chance de formarem uma opinião, justamente por estarem impossibilitadas de terem acesso à discussões, que emitam opiniões divergentes das que ela sempre teve contato.
A mídia sabe que para não ser criticada por mal jornalismo ela deve ser imparcial, mostrar dois viés, e já que não é interessante mostrar um outro viés nesse caso, ela simplesmente se silencia!

Assim, os 20 mil que compareceram à marcha, no Rio, nesse último sábado, atuam, como podem, no papel que lhes cabe, e que deveria fazer parte da pauta de uma mídia que defende os interesses do povo.

Os que estiveram ali presente, manifestam uma opiniao e lutam por ela, e essa mobilizacao alcanca de uma forma ou de outra, aos que prsenciaram a marcha e aos circulos de amigos dos que ali estiveram presentes. E como um efeito domino, ira se

a marcha foi linda pacifica e os manifestantes conseguiram expor os motivos que os levaram a marchar: uma nova politica de drogas, a regulacao do plantio, a descriminzalizacao da maconha, a liberacao para seu uso medicial, entre outras pautas.






na primeira fila, maes com seus filhos portaores de doencas que poderiam ter tratamento menos penoso com uma chance maior de cura caso fosse perimitido a adminsitracao medica da cannabis.

a grandemidia pode se opor, mas as pessoas nao se calarão.

esse tratamento dado a marcha deixa claro o poder manipulador do silêncio pelo quarto poder, seguindo a lógica, se nçao é noticia, não é importante.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Juiz de Fora não tem praia, então fuja pro Rio (sempre que der, sem gastar muito!)

A pedido do Thaynã, que está doido pra ir no show do Washed Out no Circo Voador e me pediu um tutorial super bem explicadinho. Farei o melhor que posso. 

____________________

Cansado da Manchester mineira? Cansado de Minas não ter mar? Cansado de ter que disfarçar a frustação de Minas não ter mar repetindo exaustivamente a máxima "já que Minas não tem mar eu vou pro bar"?

Cansado de ser conivente com o monopólio das empresas de ônibus, e ter que aceitar a (in)Útil como única opção para ir ao Rio?

E principalmente, está afim de aventurar-se sem gastar muito?

Esse tutorial foi feito para você!

[Antes de tudo, confeccione uma placa onde se possa ler RIO (sendo criativo ou não na confecção da mesma - folha A4, cartolina, papelão, hidrocor, canetinha, pincel atômico, qualquer meio e forma vale - mas assegure sempre de que a placa terá boa visibilidade)]


Para sair de Juiz de Fora sentido ao Rio, considerando que se está no Centro da cidade, basta pegar qualquer ônibus que passe pelo Salvaterra. (Se você estiver no Cascatinha, uma das opções é ir caminhando até o posto de polícia do Cascatinha, e pedir carona no quebra-molas que tem ali, porém isso traz uma desvantagem - explicada mais adiante no tutorial)

Uma das opções para pegar carona ao Rio (mais eficaz para ir para Três Rios)

As linhas que você poderá optar são: 508 (Avenida Deusdedith Salgado), 518 (Salvaterra), 519 (Torreões), 523 (Monte Verde), 529 (Torreõe via Mascate/Monte Verde), 543 (Santa Córdula) e 546 (Mirante).
Todas essas linhas são oferecidas pela Tusmil (ônibus verde). Alguns pontos onde você pode pegar esse ônibus são na Praça da Estação e na Avenida Independência, para consultar outros lugares onde eles passam e que talvez seja mais fácil para você consulte essa seção do site da prefeitura e pesquise pelos números dos ônibus informados.

Uma vez dentro do ônibus, se você já conhecer a região, desça no ponto mais próximo do posto Salvaterra (antes de chegar no posto), se não peça ao trocador para que lhe avise o ponto.

Você descerá nesse ponto.


Essa é a entrada principal de Juiz de Fora, e se quiser, você já pode pegar carona no pórtico da cidade (vide Google maps abaixo). Há vantagens e desvantagens, porém, em tentar carona pro Rio daqui.

Uma vantagem é que os carros passam, nesse ponto, com uma velocidade um pouco mais reduzida do que na BR, a desvantagem é que você perderá a chance de pegar carona com TODOS os outros carros que estarão indo para o Rio e que não estão saindo de Juiz de Fora.


Exibir mapa ampliado


Sendo assim, a opção que eu sempre escolho é ir diretamente na BR.
Se também optar por essa opção, cruze o pórtico da cidade, passe pelo posto Salvaterra e continue caminhando. Você verá a placa abaixo. Não faz sentido seguir o fluxo natural dos carros, ou você passará embaixo do túnel, o que não é uma boa opção, então siga pelo gramado, até chegar na BR.

Nessa imagem, você vê um caminhão vermelho lá em cima, ali é a BR 040.
Após chegar na BR, você terá que cruzá-la. CUIDADO! CUIDADO!!!
Isso é sério! Cruze a BR com muito cuidado!


Você chegará aqui depois de subir o gramadinho.

Espere um momento em que o fluxo dos dois lados estiver mais tranquilo, e espere sempre no beiral entre as pistas antes de concluir a travessia.

Cruze com CUIDADO!!! Espere no beiral antes de completar a travessia!
Já do outro lado, caminhe até essa placa mostrada na imagem abaixo. Aqui é o melhor lugar (na minha opinião para seguir pro Rio).



Porque nessa placa?? Aqui você tem chances de conseguir carona tanto de quem sai de Juiz de Fora, quanto de quem já vem vindo de outras cidades pela BR 040.



 Pronto, agora mantenha o sorriso, e força no dedão e na plaquinha!

Mentalize o seu destino final!
Obs.: Poderão surgir carros que estão indo para outras cidades antes do  Rio. Caso aconteça de alguém indo para outro lugar parar e lhe oferecer uma carona, há dois lugares pelo caminho que são igualmente bons para carona pelo caminho, o posto de polícia rodoviária em Três Rios, e a rodoviária nova de Petrópolis. Assegurando de que a pessoa passará e poderá te deixar em algum desses lugares, não vejo maiores problemas em aceitar. Eu sempre opto por carros que vão diretamente ao Rio.

No Rio:


Converse com seu motorista sobre o melhor ponto para lhe deixar, de acordo com a região do Rio para onde você vai. Se o carro estiver indo para um lugar bem distante de onde você pretende ir, é quase unânime que todos passem pela Avenida Brasil, você pode saltar por exemplo na passarela 6, em frente à Fundação Fio Cruz, ali você consegue ônibus (R$ 3,00) para a Barra e Zona Sul por exemplo,


Passarela 6 da Avenida Brasil.
Você saberá quando estiver chegando na passarela 6 quando começar a avistar à sua direita o castelinho da Fio Cruz.

Castelinho da Fio Cruz

RETORNO:


Para voltar para Juiz de Fora é muito simples. Pegue um ônibus ou metrô para a Central do Brasil (Ônibus: R$ 3,00, Metrô: R$ 3,40), e lá se informe sobre onde pegar o ônibus CENTRAL-XERÉM (R$ 6,40).

Uma vez no ônibus, peça ao trocador para lhe avisar quando estiver chegando próximo ao pedágio de Xerém, e salte no primeiro ponto depois.

Você pedirá carona embaixo dessa passarela mostrada na imagem abaixo.
NÃO SE ESQUEÇA DA PLAQUINHA!

Primeira passarela depois do pedágio de Xerém.
Pronto! Agora com um pouco de sorte (o que é a REGRA - praticamente) você gastará:

Ônibus do centro de Juiz de Fora até o Salvaterra: R$ 2,05
Ônibus de algum lugar do Rio para o seu destino: R$ 3,00
Ônibus (ou metrô) até a Central do Brasil: R$ 3,00
Ônibus até a passarela depois do pedágio de Xerém: R$ 6,40

Ida e volta ao Rio saindo de Juiz de Fora:

R$ 14,45

Beeeem mais em conta do que optar pelos ônibus da (in)Útil. Mas você descobrirá que na verdade, não se trata do dinheiro, e sim da liberdade que pegar carona lhe proporciona. Haverá vezes em que pegar carona será uma NECESSIDADE e ÚNICA opção (quando estamos totalmente quebrados!) mas na imensa maioria das vezes pegar carona será uma questão de ESCOLHA.

Divirta-se pelas estradas, e siga sempre seus instintos, confie nos seus pressentimentos que tudo dará certo!

(Eu não gosto de seguir tutoriais muito bem explicadinhos, o mais legal de se viajar assim é ir desbravando coisas e lugares por conta própria, você não é uma ilha, interaja com todas as pessoas, pergunte, descubra!)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Marte

Saí da casa do Emmanuel bem tarde, o que não é muio apropriado para quem vai tentar carona. Mas não foi intencional. Eu estava com reais e precisava trocar por pesos. Havia  feito uma péssima troca em Puerto Iguazú, pelo câmbio oficial, praticamente metade do câmbio blue, o cambio não oficial.

O Emmanuel tem um amigo, o Juan, que disse que me ajudaria no câmbio, fiquei esperando o Juan chegar. Quando ele chegou, almoçamos juntos, e ele começou a fazer uns contatos. Com algumas ligações, consegui um câmbio excelente!

Dei meus reais para o Juan e ele foi de moto trocá-los com uns amigos no centro da cidade.

Já com pesos em mãos, poderia seguir para Buenos Aires.

Eles me acompanharam até o ponto de ônibus e de lá segui para a saída de Paso de los Libres. Do ponto final do ônibus até a ruta 14 ainda tinha uma boa caminhada, uns 5 quilômetros. durante a caminhada fui pedindo carona - vai que cola - mesmo não sendo o melhor lugar, mesmo que os carros ali estivessem passando a mais de 100km/h, mesmo que não houvessem redutores de velocidade.

Alguns minutos depois um carro branco para, mas bem a frente. fiquei na dúvida se havia parado pra mim, por alguns segundos hesitei, mas logo segui correndo. O carro seguia imóvel, bem distante, quando de repente começou a voltar de ré.

Sim, havia parado pra mim.
Quando se aproximou, qual não foi a minha supresa: era Juan (outro Juan)! O senhor chefe da AFIP (órgão similar a receita federal, na Argentina)! O Juan havia me dado carona de Posadas para Libres no dia anterior. Nessedia ele havia dito que iria voltar para Posadas, buscar sua mãe, para o casamento de seu irmão em Córdoba. mas foi uma incrível coincidência encontrá-lo por ali. E novamente, me salvou.

Ele me propôs me deixar num posto de polícia itinerante há uns 10km no sentido de Posadas, que mesmo sendo oposto ao sentido de Buenos aires, haveria grandes chances de alguém me levar (a estrada era a mesma).

Nesse posto ele conversou com os policiais que concordaram em inclusive me ajudar, parando alguns caminhões brasileiros que parassem por ali. algo que a princípio não achei tao legal.

Explico:

Os caminhoneiros brasileiros não gostam de ser parados pela policia argentina. A maioria das transportadoras brasileiras pagam, digamos, uma propina para a gendarmeria (policia rodoviária argentina) para não serem parados, e certamente - obviamente - não iriam gostar de serem parados, quebrando o "acordo" ainda mais para levarem um caroneiro perdido pelas estradas argentinas.

Por sorte isso não foi necessário, pouco tempo depois, um caminhoneiro argentino parou, sem auxilio da policia, ele seguia para Paso de los Libres, mas disse que me deixaria num posto de gasolina, um pouco mais adiante, fora de sua rota, e que não seria um estorvo para ele esse pequeno ato de cordialidade.

Nesse pequeno trajeto mateamos juntos, e ele me disse, que caminhoneiros argentinos, gostam de dar carona, além de gostarem de companhia, gostam de alguém para servir o mate. Sim... Alguém para estar sempre pondo água no mate e trocando a erva.

Ótimo, já estava me vendo servindo mate até Buenos Aires.

Chegando no posto, havia um caminhão brasileiro, com as portas abertas. Me aproximei e me apresentei. Acho que não é muito comum para um brasileiro encontrar um outro brasileiro por aquelas bandas pedindo carona.

Depois da surpresa inicial ele me disse que estava indo para Rosario, que não era o mesmo caminho ate Buenos Aires mas que me deixaria em Cuatro Bocas, uma cidade um tantinho mais adiante.

Segui com ele contando histórias e ouvindo histórias. Não havia me dado conta da hora, e a verdade é que já estava anoitecendo. Nada legal.
Cheguei num posto em Cuatro Bocas, onde estavam fazendo consertos na estrada, então o cenário era: Marte. Poeira  e terra vermelha. E noite, e frio.



As chances seriam mínimas. Mas não desisti. Com polegar em riste tentei por alguns minutos (na verdade, quase uma hora). E nada. Muitos caminhões brasileiros passavam, e eu gritava:

-- Heeeeeey, brasileiro aqui!!! Indo pra Buenos Aires!!!

Nesse momento eu estava coberto de terra, e certamente nem eu pararia pra mim. (um dos princípios básicos da carona é a auto-análise: eu pararia para mim?)

Mas persisti nesse drama por mais um tempo.

Esgotado, desisti e já estava pensando num plano b, praguejando-me por não ter levado uma barraca nem saco de dormir. Eu nunca levo barraco nessa viagens, mas sempre nesses momentos me arrependo.

Não havia loja de conveniência no posto, e seria um grande perrengue encontrar lugar para dormir ali. Já estava me preparando psicologicamente para essa agradável noite em Marte.

Saí da estrada e caminhei para conversar com alguns caminhões que estavam parados ali. Encontrei um brasileiro:

-  Amigo estou indo para Buenos Aires.
- Sério!! Eu estou vindo de Foz do Iguaçu, preciso chegar hoje por lá!
- Mas infelizmente não posso te levar. Até te levaria mas estou com a família.

A esposa e o filho aparecem logo em seguida. Estavam se preparando para jantar, esquentando a comida e tomando mate (seguramente gaúchos).

- Mas tenho certeza que você vai conseguir, você parece ser um cara gente boa.

Bem, fiquei feliz com a parte do gente boa. e de alguma forma me motivou.

Assim que encerramos a conversa, escutei um caminhão dar a partida, e corri para falar com o motorista.

- Hola che! Que tal?? Dejame te decir, estoy venindo desde Brasil, hize todo el viaje a dedo, y ahora sigo para buenos aires, encotnrar com unos amigos y pasar un buen tiempo alla. por favor, no me podrias llevar un poco mas adelante??

A luz da boléia se acendeu e vi, Juan (outro Juan). Juan parecia ter saído de um filme mexicano dos anos 70. Falava um espanhol complicado mas o compreendi, meu espanhol já está de boa para espanhol complicados...

- Hey capo, no te puedo llevar. Mucha plata llevo en el camión. la carga es controlada. voy a Buenos Aires pues.

(Não me pareceu muito sensato dizer que a carga era cara...)

- Si si che, compreendo, pero mirá, me dijeron que hay una estación de servicios Petrobrás un poco más adelante, no me podrías llevar hasta ahí entonces, acá no hay lugar para yo dormir, y allá me dijeron que es mejor, hay baños, hay lo que comer. por favor...

- Bueno che, hasta la estación entonces!
Saindo de Marte

Perfeito! Consegui uma carona até o posto Petrobrás. Devagar e sempre.
O posto não ficava nem a 10km dali, mas já era algo.

No trajeto instantaneamente "agarramos buena onda". Expliquei a viagem, disse que estava captando histórias para um docmentário, que era de Minas Gerais, que estava num estágio em Assunção, que ficaria mais um tempo viajando. ele me contou um pouco da sua vida. e me pediu para servir mate. sim... Já estava preparado para o mate.

Chegando no posto, Juan me pergunta.

- Che?
- Que?
- Te enojarías si yo te llevo hasta Buenos Aires?

Não entendi muito bem a principio. Aí caiu a ficha.
O cara ia me levar até Buenos Aires!
O CARA IA ME LEVAR ATÉ BUENOS AIRES!

- Claroooo que no che... no sé ni como agradezcer che!!! Dale dale!!!

Juan era um personagem. E nessa hora fiquei muito puto com uma coisa.
Lembrei da oficina de documentário com Guilherme Castro que fiz em Foz do Iguaçu durante o Curta Iguassú, no qual ele diz que em um documentário, devemos aproveitar todos os momentos. Para não perder falas que podem se perder, porque não serão repetidas, e se o são, não saíram da mesma forma, autênticas.
E praguejei a Sony. Sim a Sony. Que faz câmeras onde só funcionam os terríveis Memory Sticks, que são cartões bizarros, onde não dá pra por os micro SD. E que sõ funcionam em câmeras Sony.
O meu cartão tinha estragado em Puerto Esperanza, cidadezinha de Misones, e eu não pude fazer mais gravações desde então. A memória interna da câmera é minuscula, e só cabe 40 fotos em tamanho de 2mp. SIM! 40 fotos em 2mp!!! A memoria enchia, passava as fotos pro PC, e tirava novas fotos. Nada de videos. nada de fotos em alta qualidade.

E eu estava diante de um cara que era um grande personagem.
Fomos todo o caminho conversando sobre tudo. O cara se interessava muito pelo Brasil, mas não conhecia muita coisa. Queria conhecer musicas, filmes, histórias, e eu fui lhe passando tudo que estava ao alcance do meu saber.

Eu tinha muitas musicas brasileiras no meu PC, e estava num momento bem Roberto Carlos. Sim. Roberto Carlos.

Roberto Carlos foi uma presença constante nessa viagem, desde a minha saída de Juiz de Fora.

E fomos ouvindo Roberto Carlos, e alto e bom som de Cuatro Bocas até Buenos Aires.

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos.
Como dois e dois são cinco.
Como é grande o meu amor por você.

Roberto, seu maldito, essas suas músicas antigas são lindas.

Num momento crítico relacional meu, foi um bom suporte. E Juan, o caminhoneiro argentino com cara de mexicano de filme dos anos 70, foi um grande psicológo durante toda a viagem.

O brocardo de que os caroneiros são os melhores psicológos dos caminhoneiros se inverteu nessa viagem.

E feliz e ressignado cheguei a Puerto Madero, às 3h da manhã.
Ao som de Detalhes.

Un baile en Asunción

Voltei de uma viagem de 45 dias pelo Paraguai, Misiones, Corrientes, Buenos Aires, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, bem auto-reflexiva.



Num momento em que nos sentimos um pouco perdido, nada melhor do que se perder fisicamente, de verdade. E decidi sair por aí.

Segui para um estágio no Tribunal de Revisão do Mercosul em Assunção e fugi de lá. Daí foram encontros e desencontros e estudos empíricos para um documentário ue vou começar a gravar por Minas Gerais esse mês.

E em busca de experiências para o documentário-projeto do ano que vem, que a princípio soa como uma viagem insana, e que dentro da sua impossiblidade na sua execução, na verdade reside somente uma improbabilidade. Eu gosto de lidar com coisas improváveis.

Esse foi o trajeto que percorri:



E vou voltar a atualizar esse blog que esteve parado por um bom tempo, mesmo eu não tendo parado de viajar desde a última atualização.

Ultimamente venho trabalhado nas ideias e referências para os documentários e acho que uma boa coisa pode ser voltar a escrever aqui, e postar coisas que venho escrevendo e não postando.

Nunca deixei de escrever. Não faço isso bem, mas gosto de fazê-lo.

Aos poucos publicarei textos e fotos aqui.
E novidades sobre a execução dos projetos supra citados.

Que os bons ventos nos levem.
(Em busca de uma forma não convencional - e mais libertária - de levar a vida)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Guia definitivo da carona - Parte 1



As formas de se viajar se limitaram muito nos dias atuais.
Com a disseminação da indústria do medo, viajar de carona se torna uma verdadeira aventura, para a maioria dos que se incursionam nessa empreitada, ou aos ouvidos daqueles que escutam relatos de viagens feitas por outros.

É uma aventura sim. Mas não tão arriscada assim.

Muito embora não se veja muitos caroneiros na beira da estrada, ainda é uma forma muito viável de se viajar.

Carona é uma das melhores maneiras de realmente conhecer a fundo um lugar.

Uma viagem de carona é  uma excelente forma de imergir completamente na cultura de uma determinada região, permite a você conhecer lugares aos quais não visitaria de outra forma, te permite conhecer pessoas que possivelmente você nunca interagiria. O motorista pode ser um filósofo, um policial, um hippie ou um fanático religioso. Você então passará um tempo com uma pessoa a qual nunca imaginaria que um dia manteria uma conversa casual.


O caroneiro é um pedestre, e isso lhe dá muita liberdade. Apenas você e sua mochila!
Sem horários e complicações, apenas um objetivo a seguir, com toda a estrada pela frente.

Viajar de carona é umas das poucas oportunidades de viver uma grande aventura, numa época em que as viagens se tornaram bens de consumo, com milhares de opções de pacotes turísticos que te levam a ter uma experiência extremamente superficial, muito aquém do que se poderia realmente viver num dado lugar.


A fé na humanidade, de certa forma, se restaura. Por todo o mundo, pessoas distintas e desconhecidas te levarão adiante, te oferecendo um pouco de segurança, abrigo ou comida. Gentileza e cooperação são os valores despertados pela carona. Valores que não devem ser esquecidos pela sociedade.

Não somente somos tocados pela gentileza dos que decidem nos ajudar, mas também, de alguma forma mudamos essas pessoas. Nossas histórias, relatos, desejo de conhecer o mundo – e principalmente de mudá-lo – de uma forma ou outra servem como inspiração para as pessoas que encontramos pela jornada.



- Em breve, parte dois. Com dicas, conselhos sobre segurança e otras cositas más para não ficar uma eternidade engolindo poeira nos acostamentos.



As fotos são da comédia de Frank Capra, Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night) de 1934, com Clark Gable e Claudette Colbert.

Barra de Valizas, Uruguai


Antes de começar a rotina de estudos dessas férias, me dei um tempo para viajar um pouco.

Sigo com dois amigos para Porto Alegre após o natal. De Porto seguiremos para Buenos Aires, com planos de chegar à tempo para o ano novo.


Ano passado fiz uma viagem bem semelhante, com iguais planos de estar em Buenos Aires na noite do dia 31.

Porém, no trajeto rumo a Buenos passamos por tantos lugaras interessantes que foi impossível apressar a viagem. Dessa forma desfrutamos mais lugares, viajamos sem o estresse de ter que cumprir prazos e acabamos inclusive encontrando belas surpresas, como uma praiazinha a qual eu nunca havia ouvido falar.

Essa praia se chama Barra de Valizas, na província de Rocha no Uruguai.

Depois de atravessar a fronteira Brasil-Uruguai pelo Chuí, seguimos para Punta del Diablo.
Tá, lá é bonito e descolado, mas não me senti muito na minha praia. Sondamos pelas ruas se havia alguma praia mais legal por perto, e escutamos sobre Barra de Valizas. Numa comparação tosca Punta está para Búzios, assim como Barra está para Canoa Quebrada. Ou seja, muito mais interessante. Barra fica bem perto de Cabo Polônio (famoso ponto turístico uruguaio), e inclusive se pode ir caminando. Alguns turistas utilizam Barra de Valizas como cidade satélite para vistar Cabo, já que lá, os preços são superinflacionados.


Ruas de areia, dunas, luaus na praia, e um visual rústico e de paz.
Não tinha como não ficarmos ali para saudarmos 2011.


Com os amigos que fizemos no camping, preparamos a ceia e compartilhamos nossas bebidas (eu colaborei com tequilas que havia comprado no Duty Free). À meia-noite a maior parte das pessoa na cidade vão a praia, totalmente escura antes do espetáculo de luzes dos fogos.

Esse ano, o plano é o mesmo: sair de Porto Alegre e chegar à Buenos Aires.

Porém, se encontrarmos algum lugar tão encantador quanto Valizas pelo caminho (ou se a própria, nos atrapar, novamente) seguiremos nossas vontades.


Ruas de terra de Valizas

Quintal da casa do Chiquito


Chiquito, o dono da casa-camping
Onde ficar:

Preços de camping nessa época do ano estão em torno de 150 pesos por pessoa.
Não é possível acampar na praia, dizem que há fiscalização. Não me arrisquei, mas conheci pessoas que fizeram isso tranquilamente. Inclusive em Cabo Polônio, onde dizem que a fiscalização é mais pesada.

Não estávamos dispostos a pagar 150 por pessoa, e procuramos outro lugar. Já de noite, atraídos por boa música e risos, encontramos uma casa, e descobrimos que um senhor - don Chiquito - alugava o quintal como área de camping.

Cobrava por barraca, 150 pesos. Ótimo preço, mas tinha os contras: sem banheiro, sem agua quente, sem chuveiro, sem área para cozinhar. Bares e restaurantes supriam a falta de banheiro e o banho com balde num poço ou com a boa vontade de vizinhos.






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