2o dia - BARBACENA - CARANDAÍ - LAFAIETE - OURO PRETO (!!!)
BARBACENA - CARANDAÍ
Não foi nada - nada! - confortável dormir no banco da rodoviária. Eu não consegui dormir, toda hora acordava com o barulho do papel alumínio gigante do Alex. E o frio! Muito frio! As minhas roupas não davam conta. E ficava com medo de alguém levar nossa pinga.
Levantava, fumava um cigarro e pulava para me aquecer. Xabi e eu decidimos procurar um hotel. Sim, no dia seguinte teríamos toda uma Ouro Preto pela frente, de doideras, repúblicas, muitas coxinhas do Barroco, pinga com mel e etc. Vários etecéteras mais que pesaram no quesito "Amanhã vamos estar fodidos e dormir o dia todo".
Achamos uma birosca aberta, e perguntamos se conheciam algum lugar onde poderíamos alugar um quartinho (no dia seguinte pagaríamos).
- Tem um lugar alí ó, em frente a rodoviária, só chegar alí e gritar, que eles abrem.
Ok. Fomos lá. O cansaço, a fome, as costas partidas em dois fizeram com que nunca desejássemos tanto uma cama. Não uma cama, qualquer lugar fechado! Sem vento! Sem frio! Podia ser um jornal no chão! Um jornal no chão num lugar fechado.
30 minutos. Ninguém! Tampei pedrinhas no vidro. Ninguém! Estávamos fodidos. O jeito era sofrer. Sofremos, mas com dignidade por mais uma hora.
Decidimos ir ao centro, era longe, mas assim ao menos aqueceríamos o corpo.
Achamos um hotel, mas já tínhamso perdido o sono mesmo, queríamos algum lugar quente só. Entramos pra nos aquecer. E não é que tava quentinho lá dentro...
E o cheiro de café da manhã sendo preparado... mesmo imaginando ser caro, perguntei:
- tem como tomar café da manhã sem estar hospedado?
- tem uma taxa... 5 reais.
R$ 5,00 ! Muito barato!
Tinha muita coisa! Tinha esquecido o quanto são bons os cafés de hotéis!
De estômago cheio já podíamos seguir viagem.
LAFAIETE - OURO PRETO
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terça-feira, 31 de agosto de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ouro Preto (fail) again
Puta que pariu!
Como eu poderia imaginar que três caras conseguiriam chegar facilmente em Ouro Preto!
OBVIO QUE NÃO!!
Totalmente fail!
A viagem mais cansativa de carona do século!
Chegamos sim, mas sofremos!
A gente sofre mas se diverte, porém... creio.
Ah mas estamos em Ouro Preto... agora só alegria.
Dois dias para chegar aqui...
Pô vai parecer que eu escrevo essas coisas para desmotivar as pessoas a viajarem de carona. Não! É super sustentável e você ainda faz amigos.
Mas lembre-se que sempre se conta com um tanto de sorte. Um conjunto de fatores, obviamente, auxiliam numa maior sorte. Um deles, não é viajar a três.
Resumindo um pouco a pequena saga: JUIZ DE FORA - OURO PRETO
Primeiro, acordamos muito tarde. Chegamos no ponto de carona umas 3 e meia da tarde, no posto Graal, depois do bairro Barreira do Triunfo. É muito longe, então demoramos um tanto no ônibus. Teríamos que sair dali num carro direto para Ouro Preto, antes que escuressesse ao menos.
Uma hora depois, de muito revezamente no dedão (de vez em quando um da gente ia se esconder... essa tática funciona) decidimos os três tentarmos ao mesmo tempo, porém em pontos diferentes da estrada.
Fucionou! Um carro parou, perguntei se poderia levar mais três. O cara disse que sim, só que não teria lugar para as malas. Enlatados, seguimos.
Chegamos e já estava quase escurecendo. Foda, três caras, de noite! Nunca parariam. Mas esse pensamento tinha que ser eliminado. No fundo acredito na Lei da Atração, é uma baboseira gigantesca... mas tenho que acreditar nessas situações para não me desmotivar!
Não sabíamos direito onde pegar carona, ficamos no Nosso Pão de Queijo, mas nada. Nem caminhoneiros nem nada. Três caras! De noite!
Eu nunca pararia! Aí outro ponto importante a se pensar, que utilizo quando pego caronas. O pensamento simples e lógico: "Eu pararia o carro para mim?".
Por muitas vezes a resposta é Não. Mas tento não parecer na maior parte das vezes que sou um marginal ou assaltante. Sorria sempre, e faça a barba.
Custamos a compreender que estávamos fodidos.
Num ponto longe do centro, sem dinheiro e eu com um celular novo, sem meus contatos (havia perdido após uma festa na qual fui de Gandhi).
Fail. Totally fail. A hundred times fail.

Insístiamos em vários pontos da rodovia. E a hora ia passando.
Havia algumas putas por perto, e algumas vezes quando um caminhão parava, iludia-me que era para nós. As putas tinham uma grande vantagem.
Tínhamos duas opções.
Pegar um ônibus até Lafaiete, e de lá pra Ouro Preto.
Dormir por lá, e sair no dia seguinte bem cedo.
Abandonamos a idéia de caronar definitivamente.
E eu que queria incutir a sustentável idéia de viajar de carona no Alex e no Xabi, fui bastante eficiente no oposto! Acho que nunca mais iriam caronar pra qualquer lugar que seja.
Mas, sempre digo, caronar é incerto!
Fomos para a rodoviária, que ficava ali pertinho.
E para a minha pergunta de quando sairia o próximo ônibus para Ouro Preto ou Lafaiete, a resposta: "meu querido, só amanhã."
Ótimo.
A primeira e mais segura e confortável opção já estava completamente descartada.
Teríamos que trabalhar, agora, a segunda para que ela se tornasse também uma opção confortável, e acima de tudo segura.
Eu havia perdido meu celular algumas semanas atrás (fui de Gandhi numa festa, sem bolsos... e me alcoolizei... tsc tsc) e o meu novo não tinha quase nenhum contato. E como não havia contado com o imprevisto (sempre conte com imprevistos!) não peguei o número de ninguém que morasse em cidades pelo caminho até Ouro Preto.
Solução temporária encontrada: Beber.
Teríamos muito tempo pra isso.
E enquanto isso, no Nosso Pão de Queijo esperaríamos alguém para abordar pessoalmente e perguntar se nos levaria.

Ninguém.
Dormir na rodoviária não é algo agradável. Definitivamente, mas é algo que pode ocorrer quando nos propomos a essa forma de viajar.
A a maldita rodoviária de Barbacena então é o lugar que mais faz frio em Barbacena!
E porque - maldição - não fazem bancos inteiriços! Os bancos eram aqueles de sala de espera, cadeiras independentes unidas por uma barra de ferro, cumprem efetivamente a sua real e única função que é servir de assento, mas para dormir é algo BEM desagradável.
Frio dos infernos. Meio bêbado com uma pinga terrível. E deitados em bancos de consultório.
Todos os meus casacos, duas calças e leves doses de Tangirú, me mantinha aquecido.
Alex, precavido, tinha uma manta metálica para emergências, e se enrolou naquele papel alumínio gigante.
Xabi se enrolou numa toalha de banho. E usava meu gorrinho peruano.
Chamávamos atenção.
Bêbados se aproximavam, um deles nos presenteou com balinhas. Ofereci um gole de Tangirú, mas ele disse que estava parando de beber, muito embora entregue pelo seu imenso odor de álcool proveniente da transpiração. Não devia gostar da Tangirú. NINGÚEM DEVE BEBER TANGIRÚ!
E nesse cenário, dormimos.
Como eu poderia imaginar que três caras conseguiriam chegar facilmente em Ouro Preto!
OBVIO QUE NÃO!!
Totalmente fail!
A viagem mais cansativa de carona do século!
Chegamos sim, mas sofremos!
A gente sofre mas se diverte, porém... creio.
Ah mas estamos em Ouro Preto... agora só alegria.
Dois dias para chegar aqui...
Pô vai parecer que eu escrevo essas coisas para desmotivar as pessoas a viajarem de carona. Não! É super sustentável e você ainda faz amigos.
Mas lembre-se que sempre se conta com um tanto de sorte. Um conjunto de fatores, obviamente, auxiliam numa maior sorte. Um deles, não é viajar a três.
Resumindo um pouco a pequena saga: JUIZ DE FORA - OURO PRETO
1o dia - JF - BARBACENA
Primeiro, acordamos muito tarde. Chegamos no ponto de carona umas 3 e meia da tarde, no posto Graal, depois do bairro Barreira do Triunfo. É muito longe, então demoramos um tanto no ônibus. Teríamos que sair dali num carro direto para Ouro Preto, antes que escuressesse ao menos.
Uma hora depois, de muito revezamente no dedão (de vez em quando um da gente ia se esconder... essa tática funciona) decidimos os três tentarmos ao mesmo tempo, porém em pontos diferentes da estrada.
Fucionou! Um carro parou, perguntei se poderia levar mais três. O cara disse que sim, só que não teria lugar para as malas. Enlatados, seguimos.
Chegamos e já estava quase escurecendo. Foda, três caras, de noite! Nunca parariam. Mas esse pensamento tinha que ser eliminado. No fundo acredito na Lei da Atração, é uma baboseira gigantesca... mas tenho que acreditar nessas situações para não me desmotivar!
Não sabíamos direito onde pegar carona, ficamos no Nosso Pão de Queijo, mas nada. Nem caminhoneiros nem nada. Três caras! De noite!
Eu nunca pararia! Aí outro ponto importante a se pensar, que utilizo quando pego caronas. O pensamento simples e lógico: "Eu pararia o carro para mim?".
Por muitas vezes a resposta é Não. Mas tento não parecer na maior parte das vezes que sou um marginal ou assaltante. Sorria sempre, e faça a barba.
Custamos a compreender que estávamos fodidos.
Num ponto longe do centro, sem dinheiro e eu com um celular novo, sem meus contatos (havia perdido após uma festa na qual fui de Gandhi).
Fail. Totally fail. A hundred times fail.

Insístiamos em vários pontos da rodovia. E a hora ia passando.
Havia algumas putas por perto, e algumas vezes quando um caminhão parava, iludia-me que era para nós. As putas tinham uma grande vantagem.
Tínhamos duas opções.
Pegar um ônibus até Lafaiete, e de lá pra Ouro Preto.
Dormir por lá, e sair no dia seguinte bem cedo.
Abandonamos a idéia de caronar definitivamente.
E eu que queria incutir a sustentável idéia de viajar de carona no Alex e no Xabi, fui bastante eficiente no oposto! Acho que nunca mais iriam caronar pra qualquer lugar que seja.
Mas, sempre digo, caronar é incerto!
Fomos para a rodoviária, que ficava ali pertinho.
E para a minha pergunta de quando sairia o próximo ônibus para Ouro Preto ou Lafaiete, a resposta: "meu querido, só amanhã."
Ótimo.
A primeira e mais segura e confortável opção já estava completamente descartada.
Teríamos que trabalhar, agora, a segunda para que ela se tornasse também uma opção confortável, e acima de tudo segura.
Eu havia perdido meu celular algumas semanas atrás (fui de Gandhi numa festa, sem bolsos... e me alcoolizei... tsc tsc) e o meu novo não tinha quase nenhum contato. E como não havia contado com o imprevisto (sempre conte com imprevistos!) não peguei o número de ninguém que morasse em cidades pelo caminho até Ouro Preto.
Solução temporária encontrada: Beber.
Teríamos muito tempo pra isso.
E enquanto isso, no Nosso Pão de Queijo esperaríamos alguém para abordar pessoalmente e perguntar se nos levaria.

Ninguém.
Dormir na rodoviária não é algo agradável. Definitivamente, mas é algo que pode ocorrer quando nos propomos a essa forma de viajar.
A a maldita rodoviária de Barbacena então é o lugar que mais faz frio em Barbacena!
E porque - maldição - não fazem bancos inteiriços! Os bancos eram aqueles de sala de espera, cadeiras independentes unidas por uma barra de ferro, cumprem efetivamente a sua real e única função que é servir de assento, mas para dormir é algo BEM desagradável.
Frio dos infernos. Meio bêbado com uma pinga terrível. E deitados em bancos de consultório.
Todos os meus casacos, duas calças e leves doses de Tangirú, me mantinha aquecido.
Alex, precavido, tinha uma manta metálica para emergências, e se enrolou naquele papel alumínio gigante.
Xabi se enrolou numa toalha de banho. E usava meu gorrinho peruano.
Chamávamos atenção.
Bêbados se aproximavam, um deles nos presenteou com balinhas. Ofereci um gole de Tangirú, mas ele disse que estava parando de beber, muito embora entregue pelo seu imenso odor de álcool proveniente da transpiração. Não devia gostar da Tangirú. NINGÚEM DEVE BEBER TANGIRÚ!
E nesse cenário, dormimos.
Palavras chave:
Barbacena,
Caronando,
Juiz de Fora,
minas,
ouro preto,
sufocos
segunda-feira, 1 de março de 2010
Fortaleza: Domingo, 28 de fevereiro
Depois de dois dias tentando carona para sair de Mossoró, cheguei a Fortaleza.
No primeiro dia, fomos eu Thiago e Marco para a saída de Mossoró, sentido Canoa Quebrada.
Depois de umas boas 4h e a testa queimada de sol, voltamos eu e Thiago. Marco seguiu com um taxi até Canoa.
Carona é sorte, e tem as suas regras. Uma delas é, nunca tente carona em tres, ainda mais se forem tres homens.
A ordem de facilidade é:
2 mulheres
1 mulher
1 casal
1 homem
2 homens
depois já vai culminando para níveis absurdos de dificuldade.
No segundo dia, planejei ir cedo para o posto ipiranga, na saída da BR 304 de Mossoró.
Exibir mapa ampliado
Com 2 reais no bolso, nem poderia cogitar pegar ônibus. Sabe-se lá quando eu precisaria dessas escassas moedinhas.
No dia anterior haviamos tentado carona ali na saida do posto, com plaquinha, porém nao foi nada eficiente nossa tentativa.
Eu estava doido pra ir pra Canoa Qubrada, porém sem dinheiro no bolso para taxi. Tentei até o ultimo momento. Começou a escurecer. Já era. Carona de noite é furada. Não é impossível. Mas já estava vencido pelo cansaço também.
Nao havia quebra-molas, e os carros nao iriam parar por nada. Os caminhões já haviam arrancado, e também nao iriam freiar, a menos que fossemos tres loiras bundudas com uma minisaia.
Minha tática era então a aproximação corpo a corpo.
Perguntei a alguns caminhoneiros que estavam almoçando ao lado do caminhão:
- fala amigo, desculpa incomodar aí, mas vocês não estão indo no sentido Fortaleza não?
- gente tá indo sim, mas estamos esperando carregar o caminhão. gente saí só amanha de tarde.
Não, nada de esperar. Já havia aproveitado bastante Mossoró, e além do mais não podia ficar uma noite mais, e sacrificar uma noite a menos ou em Canoa Qubrada ou em Fortaleza.
Perguntei a alguns outros caminhoneiros e carros que paravam na bomba. Mas nada.
Definitivamente sair de Mossoró de carona é um pouco complicado.
Fiquei por 4h tentando. Umas 17h da tarde, já escurecendo, fui ao restaurante do posto, desconsolado.
Foda!
Sem dinheiro, perguntei se o café era cortesia.
"é sim menino"
Tomei um, dois, tres de uma vez.
Sentei na mesa, abri o mapa, analisei a distancia que ainda teria que viajar, praguejando o mundo internamente - estava rabugento nessa hora - e pedi mais um café.
Um senhor se aproximou:
"isso aí é cd pirata é?"
Sim, ele pensou que eu era vendedor de cd pirata, olhando pro meu mochilão e pra minha cara de estou-carregando-essa-mala-ha-20-dias.
- não, não amigo... só estou viajando por aí mesmo.
- ahhhh...
Se ele não virasse as costas tão rápido, iria convidá-lo para tomar um café cortesia comigo. Queria conversar.
Tomei mais um café, e sob alguns olhares curiosos, comecei a escrever uma nova placa: FORT. (nao cabia fortaleza no A4). E saí do restaurante para perto das bombas outra vez. Voltar para uma noite mais em Mossoró seria a aceitação do fracasso. E era noite de luau em Canoa Quebrada.
Levanto a placa uma vez mais para um caminhoneiro que estava de saida do restaurante:
- Fortaleza! Aracati?? Canoa???
- Ahnn... tô indo pra lá.
- FORTALEZA?? Sério???
- Bora fi...
Não acreditei, e sai correndo com a mochila de 20kg todo desengoçado pro caminhão.
O cara é muito doido. Caminhoneiro doidera mesmo.
Mal entrei no caminhão:
- TU TÁ ARMADO??
- não po, que isso.
- ENTÃO SIMBORA!
E partiu dando uns tapas na porta do caminhão.
Demorou até termos confiança um no outro. E muito embora eu tivesse afirmado que não estava armado, só depois de haver contado a minha história, dos lugares que havia passado, das pessoas que havia conhecido o clima melhorou um pouco.
Foi uma das caronas mais agradáveis, autoexplicativas da vida de caminhoneiro e nonsense de toda essa amalucada viagem.
O cara me contou táticas pra não dormir: "Cocaína, desobese e whisky se tiver com grana, conhaque se tiver duro, tiro e queda.".
"Em dia que eu rodo 12h eu me sinto mal, pra eu render, e ficar tranquilo, rodo 18h por dia. Já rodei 32h seguidas pra não perder o prazo da entrega."
De policiais de beira de estrada: "Policial honesto é uma merda! Bom é policial corrupto, que cobra uma propininha pra facilitar pra nóis".
Passamos de discussões acirradas sobre o sistema educacional e sobre putas que fumam crack, e pela dura e perigosa vida de caminhoneiro.
Passei a entender o caminhoneiro nessa viagem. Passar a vida na estrada, estar em casa por 10 ou até 5 dias só no mês. O Brasil é um país de dimensões continentais, a vida sobre rodas se torna necessária para a efetiva integração de cada rincão, do Oiapoque ao Chuí. E oportunistas surgem disso. E além dos acidentes (que inevitavelmente vão ocorrer, questão de probabilidade) assaltos, sequestros e assassinatos, são crimes frequentes na vida do caminhoneiro.
Transportar cargas de R$200.000, R$500.000, R$ 1 milhão ou mais por todo o Brasil, é algo bem arriscado. Mas riscos e estatísticas são irrelevantes e quando se tem que encher o prato da família em casa, faz-se o que deve ser feito, e esperar o abraço e o beijo da mulher e filhos na curta estadia em casa, a espera do próximo frete.
No primeiro dia, fomos eu Thiago e Marco para a saída de Mossoró, sentido Canoa Quebrada.
Depois de umas boas 4h e a testa queimada de sol, voltamos eu e Thiago. Marco seguiu com um taxi até Canoa.
Carona é sorte, e tem as suas regras. Uma delas é, nunca tente carona em tres, ainda mais se forem tres homens.
A ordem de facilidade é:
2 mulheres
1 mulher
1 casal
1 homem
2 homens
depois já vai culminando para níveis absurdos de dificuldade.
No segundo dia, planejei ir cedo para o posto ipiranga, na saída da BR 304 de Mossoró.
Exibir mapa ampliado
Com 2 reais no bolso, nem poderia cogitar pegar ônibus. Sabe-se lá quando eu precisaria dessas escassas moedinhas.
No dia anterior haviamos tentado carona ali na saida do posto, com plaquinha, porém nao foi nada eficiente nossa tentativa.
Eu estava doido pra ir pra Canoa Qubrada, porém sem dinheiro no bolso para taxi. Tentei até o ultimo momento. Começou a escurecer. Já era. Carona de noite é furada. Não é impossível. Mas já estava vencido pelo cansaço também.
Nao havia quebra-molas, e os carros nao iriam parar por nada. Os caminhões já haviam arrancado, e também nao iriam freiar, a menos que fossemos tres loiras bundudas com uma minisaia.
Minha tática era então a aproximação corpo a corpo.
Perguntei a alguns caminhoneiros que estavam almoçando ao lado do caminhão:
- fala amigo, desculpa incomodar aí, mas vocês não estão indo no sentido Fortaleza não?
- gente tá indo sim, mas estamos esperando carregar o caminhão. gente saí só amanha de tarde.
Não, nada de esperar. Já havia aproveitado bastante Mossoró, e além do mais não podia ficar uma noite mais, e sacrificar uma noite a menos ou em Canoa Qubrada ou em Fortaleza.
Perguntei a alguns outros caminhoneiros e carros que paravam na bomba. Mas nada.
Definitivamente sair de Mossoró de carona é um pouco complicado.
Fiquei por 4h tentando. Umas 17h da tarde, já escurecendo, fui ao restaurante do posto, desconsolado.
Foda!
Sem dinheiro, perguntei se o café era cortesia.
"é sim menino"
Tomei um, dois, tres de uma vez.
Sentei na mesa, abri o mapa, analisei a distancia que ainda teria que viajar, praguejando o mundo internamente - estava rabugento nessa hora - e pedi mais um café.
Um senhor se aproximou:
"isso aí é cd pirata é?"
Sim, ele pensou que eu era vendedor de cd pirata, olhando pro meu mochilão e pra minha cara de estou-carregando-essa-mala-ha-20-dias.
- não, não amigo... só estou viajando por aí mesmo.
- ahhhh...
Se ele não virasse as costas tão rápido, iria convidá-lo para tomar um café cortesia comigo. Queria conversar.
Tomei mais um café, e sob alguns olhares curiosos, comecei a escrever uma nova placa: FORT. (nao cabia fortaleza no A4). E saí do restaurante para perto das bombas outra vez. Voltar para uma noite mais em Mossoró seria a aceitação do fracasso. E era noite de luau em Canoa Quebrada.
Levanto a placa uma vez mais para um caminhoneiro que estava de saida do restaurante:
- Fortaleza! Aracati?? Canoa???
- Ahnn... tô indo pra lá.
- FORTALEZA?? Sério???
- Bora fi...
Não acreditei, e sai correndo com a mochila de 20kg todo desengoçado pro caminhão.
O cara é muito doido. Caminhoneiro doidera mesmo.
Mal entrei no caminhão:
- TU TÁ ARMADO??
- não po, que isso.
- ENTÃO SIMBORA!
E partiu dando uns tapas na porta do caminhão.
Demorou até termos confiança um no outro. E muito embora eu tivesse afirmado que não estava armado, só depois de haver contado a minha história, dos lugares que havia passado, das pessoas que havia conhecido o clima melhorou um pouco.
Foi uma das caronas mais agradáveis, autoexplicativas da vida de caminhoneiro e nonsense de toda essa amalucada viagem.
O cara me contou táticas pra não dormir: "Cocaína, desobese e whisky se tiver com grana, conhaque se tiver duro, tiro e queda.".
"Em dia que eu rodo 12h eu me sinto mal, pra eu render, e ficar tranquilo, rodo 18h por dia. Já rodei 32h seguidas pra não perder o prazo da entrega."
De policiais de beira de estrada: "Policial honesto é uma merda! Bom é policial corrupto, que cobra uma propininha pra facilitar pra nóis".
Passamos de discussões acirradas sobre o sistema educacional e sobre putas que fumam crack, e pela dura e perigosa vida de caminhoneiro.
Passei a entender o caminhoneiro nessa viagem. Passar a vida na estrada, estar em casa por 10 ou até 5 dias só no mês. O Brasil é um país de dimensões continentais, a vida sobre rodas se torna necessária para a efetiva integração de cada rincão, do Oiapoque ao Chuí. E oportunistas surgem disso. E além dos acidentes (que inevitavelmente vão ocorrer, questão de probabilidade) assaltos, sequestros e assassinatos, são crimes frequentes na vida do caminhoneiro.
Transportar cargas de R$200.000, R$500.000, R$ 1 milhão ou mais por todo o Brasil, é algo bem arriscado. Mas riscos e estatísticas são irrelevantes e quando se tem que encher o prato da família em casa, faz-se o que deve ser feito, e esperar o abraço e o beijo da mulher e filhos na curta estadia em casa, a espera do próximo frete.
***
Passando na entrada de Aracati, de onde se deve tomar a van até Canoa Qubrada, analisando meus 2 reais no bolso. E que já estava de noite, desisti. Se eu não encontrasse um caixa eletrônico em Aracati, poderia nem conseguir ir para Canoa naquela noite.
Decidi ir até Fortaleza.
Chegando em Fortaleza o cara parou o caminhão, e tentou desenrolar com uma puta, eu havia lhe falado que nao toparia essa empreitada, e que caso a negociação se efetivasse, eu esperaria do lado de fora do caminhão. A puta não fez o preço que ele queria, não tive que esperar do lado de fora e seguimos até o Posto Menino Jesus III. Longe pra burro do centro de Fortaleza.
- moleque, voce tem como fazer alguma ligacao aí?
- nao cara, perdi meu cartao, meu celular ta sem bateria e mesmo se tivesse com, estou sem credito.
- beleza, fica com esse cartao aqui, ta cheiinho, 40 unidades. quando eu tiver por minas, voce me mostra um puteiro massa.
Agradeci a boa vontade. E fiquei na de mostrar o puteiro massa pra ele em Muriaé, tentei explicar que é bem complicado essa associação por lá, mas ele insistiu, e assim ficou acordado.
***
Cheguei no posto, que é uma parada de pernoite de caminhões, e fui recebido pelo segurança com o cacetete em punhos:
"pode sair! pode sair! que tu ta querendo??"
Mais uma vez, expliquei toda a história para ele, e que precisava de um orelhão para tentar localizar um amigo em Fortaleza.
Ele nao acreditou muito. Ainda pensou que estava ali para assaltar os caminhoneiros.
A área é bem perigosa. E é comum assalto e sequestros a caminhoneiros ali.
Tentei muitas vezes localizar o André e nada. O maluco não tem celular!
O Moura estava em São Paulo pro show do Coldplay, e foi quem ia me ajudando a localizar o André em Fortaleza. Me passava uns numeros provaveis, e ligava pro numero do orelhão do posto me informando de um provável paradeiro do André.
Nessa hora, o segurança já começou a acreditar (e ter um pouco de pena).
"mas menino, você não é muito doido, pra sair por aí, sem dinheiro, longe demais da sua casa? eu? eu nao faria isso nunca... tá dooido."
E me contou, que nunca tentou carona. Nunca. Que era uma coisa dele, e me contou que uma vez quando morava no Rio, no Parque Bela Vista, escutou sobre uma construtora que estava empregando no Leblon. Sozinho, com força e sem dinheiro, seguiu a pé em busca do trabalho. Cruzou praticamente todo o Rio, saiu as 5h da manhã, chegou lá as 16h da tarde.
Perguntou sobre o emprego. E era verdade (sim até então era só um boato). Conseguiu o emprego. Porém só começaria no dia seguinte. Olhou para os lados pra ver se conhecia alguem para pedir dinheiro emprestado, e nada. Teve que voltar a pé também. Para trabalhar no dia seguinte as 6h da manhã.
Estou contando essa história, porque no momento me marcou. Escutar alguém que antes me via como um assaltante, e depois teve a confiança para se abrir, e contar passagens da sua vida. E mais uma história de sobrevivência de tanta gente como a gente.
Me disse que nao teria problema se eu dormisse por ali, mas teria que sair cedo, já que já tiveram problemas com gente que pernoitaram ali. Ele confiava em mim, mas os caminhoneiros que me vissem ali, provavelmente não. Então me acordaria as 5h da manhã para que eu seguisse rumo ao centro.
Tentei muitas vezes localizar o André e nada. O maluco não tem celular!
O Moura estava em São Paulo pro show do Coldplay, e foi quem ia me ajudando a localizar o André em Fortaleza. Me passava uns numeros provaveis, e ligava pro numero do orelhão do posto me informando de um provável paradeiro do André.
Nessa hora, o segurança já começou a acreditar (e ter um pouco de pena).
"mas menino, você não é muito doido, pra sair por aí, sem dinheiro, longe demais da sua casa? eu? eu nao faria isso nunca... tá dooido."
E me contou, que nunca tentou carona. Nunca. Que era uma coisa dele, e me contou que uma vez quando morava no Rio, no Parque Bela Vista, escutou sobre uma construtora que estava empregando no Leblon. Sozinho, com força e sem dinheiro, seguiu a pé em busca do trabalho. Cruzou praticamente todo o Rio, saiu as 5h da manhã, chegou lá as 16h da tarde.
Perguntou sobre o emprego. E era verdade (sim até então era só um boato). Conseguiu o emprego. Porém só começaria no dia seguinte. Olhou para os lados pra ver se conhecia alguem para pedir dinheiro emprestado, e nada. Teve que voltar a pé também. Para trabalhar no dia seguinte as 6h da manhã.
Estou contando essa história, porque no momento me marcou. Escutar alguém que antes me via como um assaltante, e depois teve a confiança para se abrir, e contar passagens da sua vida. E mais uma história de sobrevivência de tanta gente como a gente.
***
Consegui falar com o André:
- Maxu tu tá longe que só a porra! Aí é perigoso pra caralho... Tô sem carro, senao eu ia aí te buscar. Peraí que vou ver com algum amigo, e te ligo.
O segurança me recomendou nao ir pegar onibus nessa hora, já que teria que caminhar um pouco, e ficar numa área mais urbana, mais perigosa do que onde eu estava.
Solução, ou esperar algum amigo do André, ou dormir por ali, esperar amanhecer e seguir no busao. Com meus 2 reais.
Me disse que nao teria problema se eu dormisse por ali, mas teria que sair cedo, já que já tiveram problemas com gente que pernoitaram ali. Ele confiava em mim, mas os caminhoneiros que me vissem ali, provavelmente não. Então me acordaria as 5h da manhã para que eu seguisse rumo ao centro.
O André ligou:
"Maxu, meus amigos tao com medo de ir aí essa hora, dorme numa pousada aí perto, que amanha eu te dou o dinheiro..."
Ah poderia ir para uma pousada, mas nem, preferi ficar por ali, o papo estava bom.
Fui para a sala de TV, abri o saco de dormir, e fiquei por ali vendo Big Brother (a segunda vez que via, a outra vi em Ponte Nova na casa da Denise) até pegar no sono.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Cangaceiros
Trocamos de caminhão. Despedi do Junior e do Portugues.
Em breve vou lá pra Sertânia visitá-lo.
Resolvemos dormir por ali mesmo.
E saímos bem cedo rumo a Recife.
Cruzamos todo o sertão da Bahia. Parando em alguns lugares para uma água, ou um lanche.
Fiquei impressionado com a paisagem. Cerrado sem fim.
Nenhuma plantação. Só aquela vegetação típica de gramíneas, vegetação rasteira. A perder de vista. Só a flor de mandacaru, pra mudar o tom da seca.
Vi muita plantação de cacto. Eles cultivam agora, pra na seca, fazerem farinha e dar pro gado comer.
Passei por muita ponte sobre rios que há anos não tem água. E vi muita carcaça em decomposição.
Na divisa da Bahia com o Alagoas, o César parou o caminhão pra eu atravessar a ponte caminhando.
Era o São Francisco. Surpreendente, a água extremamente verde. E calmo. E aqueles paredões sem fim. Do outro lado da ponte, a usina de Paulo Afonso.
Íamos pela estrada tensa, que ninguém passa, porque todo mundo conhece alguem que já foi assaltado ali.
E a cada placa, ia dando graças por nao ter passado ali de noite. Muita placa com buraco de bala.
Até por uma cidade que chama Espingarda, passamos.
Seguimos pelo sertão do Alagoas e chegamos até Garanhuns.
Seguimos até Garanhuns (a terra do cara) e por lá passamos a noite. Faz frio em Garanhuns! E penei ali sem coberta e sem agasalho. Solução foi cobrir com as roupas que eu tinha...
Só falta chegar em Recife e tá fazendo frio lá também!
Em breve vou lá pra Sertânia visitá-lo.
Resolvemos dormir por ali mesmo.
E saímos bem cedo rumo a Recife.
Fiquei impressionado com a paisagem. Cerrado sem fim.
Nenhuma plantação. Só aquela vegetação típica de gramíneas, vegetação rasteira. A perder de vista. Só a flor de mandacaru, pra mudar o tom da seca.
Vi muita plantação de cacto. Eles cultivam agora, pra na seca, fazerem farinha e dar pro gado comer.
Passei por muita ponte sobre rios que há anos não tem água. E vi muita carcaça em decomposição.
Velho Chico
Era o São Francisco. Surpreendente, a água extremamente verde. E calmo. E aqueles paredões sem fim. Do outro lado da ponte, a usina de Paulo Afonso.
Íamos pela estrada tensa, que ninguém passa, porque todo mundo conhece alguem que já foi assaltado ali.
E a cada placa, ia dando graças por nao ter passado ali de noite. Muita placa com buraco de bala.
Até por uma cidade que chama Espingarda, passamos.
Seguimos pelo sertão do Alagoas e chegamos até Garanhuns.
Seguimos até Garanhuns (a terra do cara) e por lá passamos a noite. Faz frio em Garanhuns! E penei ali sem coberta e sem agasalho. Solução foi cobrir com as roupas que eu tinha...
Só falta chegar em Recife e tá fazendo frio lá também!
Palavras chave:
Caronando,
Nordeste 2010,
sufocos,
Viagens
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Milagres e apuros
Até Jequié, eu tinha vindo na minha suíte. Capotado. Estava morrendo de cansaço.A minha suíte era o caminhão de cima. Cada um, estava levando dois caminhões zerados, um eles iam dirigindo, e o outro como carga. E lá fui eu.
Depois eu desci. E nem animei a subir de novo. O Português dirigia indestemidamente. Tá doido. Melhor ir ali mesmo, pra ver, e ir conversando com ele mesmo. Opinando em cada ultrapassagem.
Paramos em Milagres, para tomar um sucão que é famoso lá.
Pedi de Umbu, 70 centavos.
O Português era bem louco no volante.

- aó ó, limite máximo aqui é 60km. olha quanto que eu tô. experiência é outra coisa...
e lá iamos a 100km/h.
E as ultrapassagens então, de filme! Seguimos viagem, com eu firmemente agarrado na porta, e com o cinto de segurança mais justo o possível.
Na chegada do Posto Fiscal de Feira de Santana:
- Vei, vei, não dá pra ir não.
Aquele reta interminável, uma fila de carro absurda, e ele querendo cortar.
- que isso rapaz, mole pra nós.
- dá não, dá não...
Um caminhão apontando lá na outra ponta da pista, vindo na nossa direção.
Mas ele foi.
Se eu peidasse eu explodia, tenso. Com aquele clássico efeito Doppler de buzina, no final dessas ultrapassagens milagrosas.
Paramos no posto.E fui lá carimbar a nota.
Aí vem um gordo baixo, com sotaque de Alagoas:
- tu que tá naquele caminhão lá? e aponta pro nosso dois andares.
- é uai.
- então tu é um cabra muito do filho da puta!
- ...
- tu não tem vergonha nessa sua cara não seu cabra safado.
E veio pra cima de mim. Dei uma corrida pra trás, sem entender nada! "Que porra é essa!" pensei.
- Tu nao é homi não bicho? Me fez sair da pista ali ó. - Aos berros.
Caiu a ficha. Se eu vi Jesus na ultrapassagem do Português, o Severino ali viu Jesus, 9 dos 12 apóstolos e Maria fazendo o moonwalking.
- cara não sou eu que tô dirigindo não.
- então o cabra é mais safado ainda, que te mandou aqui porque tá com medo!
saiu batendoo pé, entrou no caminhão. E foi.
Eu fui voltando pro caminhão.
Quando vi o Severino que pra mim, depois do susto, seguiria viagem, encostou ao lado do caminhão do Português.
Pronto. Vai sair tiro.
Apetei o passo pra tentar apaziguar.
Mas a confusão já tava lá. Uns caminhoneiro chegaram lá pra apaziguar também. Tiro não saiu.
Nem porrada. Porque o Português nengou até o fim que tinha sido ele.
- foi tu sim cabra safado!
- que eu nada, quantidade de caminhão aí na estrada.
O Severino voltou no caminhão, e eu gritei:
- Bora agora! esse cara volta aí traz uma arma gente tá fudido!
E partimos... cantando pneu, naquela agilidade toda de uma carreta dando partida.
Fomos até logo depois de Feira.
Depois do sufoco.
Depois dali já iamos trocar de caminhão. O Jr. seguiria com o Portugues até Petrolina, e eu com o César até Recife.
A dúvida do César era passar pela BR101, que vai pelo litoral, ou pela BR 110, que vai por Tucano, Paulo Afonso, e corta o Alagoas. A 101, tá cheia de obras, e é muito movimentada, íamos demorar muito. Optou pela 110 então.
E a 110, segundo todos ali era muito tensa. Até o César tava com medo.
- ali é cangaceiro mesmo. recorde de assalto a caminhoes. povo tem dó não. passa niguém lá. desertidão pura.
César tinha uma carona pro voltar do Recife para o Rio que saía de lá 12h. Então ele tinha que chegar lá até esse horário.E queria passar a noite na estrada do cangaço.
- tá doido rapá. - eu né,desesperado.
- nada bicho, tenho que voltar 12h do recife.
Pois é. Íamos correr o risco de ser pegos pelos cangaceiros.
Nem com o Júnior pondo mais medo ainda na gente:
- ônibus ali só passa em escolta?
- escolta?
- é uai em bando.
- bando?
- é eles vao em bando de oito. um atrás do outro. só assim.
Fuck.
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