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segunda-feira, 8 de março de 2010

10 dicas para pegar carona

Caro leitor, você alguma vez já pegou carona? Você já imaginou contornar todo o litoral brasileiro apenas no dedão? Você acha que isso é papo de homem ou papo de maluco?

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Onde nós estamos, Fred
Pois saiba que o gesto clássico com o polegar no ar foi um símbolo do Brasil dos anos 60, quando ainda havia poucas estradas e automóveis em nosso território. Infelizmente, sem o mesmo romantismo de antes, a carona hoje sofre com o preconceito, taxada por muita gente como uma prática quase restrita a hippies mal cheirosos, policiais fardados, andarilhos e prostitutas.
Provando ser possível resgatar o uso e a importância desse transporte alternativo, surgiu em 2006 a Expedição Carona Interativa, projeto que já contornou todo o litoral brasileiro somente na carona e agora pretende mostrar a viabilidade dessa prática em outros países da América do Sul.
Durante as etapas nacionais, que duraram cerca de cinco meses entre Curitiba e São Luis do Maranhão, foram registrados centenas de relatos e fotografias no blog da expedição, divulgando informações de lugares paradisíacos e desconhecidos, além de incontáveis histórias de curtição que deixaria até o Dr. Love com inveja!
Para ajudar os leitores que ainda não descobriram a incrível sensação de viajar dessa forma, a Expedição coloca aqui algumas dicas básicas de como pegar carona com tranqüilidade e curtir o lado bom da vida!
Antes de tudo, o aspirante a caroneiro deve ter consciência do seguinte lema: “nunca dar trabalho ao motorista”. Deve-se facilitar ao máximo a vida do condutor, para que ele possa identificar o caroneiro, parar com segurança e forncer carona sem nenhuma dificuldade.

1) Viaje sozinho ou em casal

Carona não é fácil, imagine então viajar junto com mais de duas pessoas e achar espaço para embarcar todo mundo. Sozinho você consegue encarar as caronas mais impossíveis, em lugares que às vezes mal cabe sua mochila.
carona
O ângulo certo do dedão faz toda a diferença
Viajando em casal, a mulher desponta uma atenção maior do motorista, fazendo muita gente encostar para ajudar. Já dois homens, por exemplo, inibem o condutor solitário, que mesmo disposto a dar carona, não vai parar por falta de segurança, pois no pensamento dele caso aconteça algo são 2 contra 1.

2) Se posicione no lugar certo

Na beira do acostamento o motorista precisa ver você. Para que isso ocorra com maior tranqüilidade, o trânsito tem que estar lento, devagar. Poucos têm a boa vontade de socorrer um viajante quando o carro está voando a 120 km/h.
Deve-se procurar um ponto de redução de velocidade, após cruzamentos viários, entroncamentos, trevos, lombadas ou postos da polícia rodoviária. Se nada disso estiver por perto, fique num trecho reto da estrada, sem subidas, descidas ou curvas perigosas. Certifique-se que o acostamento é seguro, longe de buracos ou desníveis para o motorista parar com facilidade.

3) Fuja da área urbana

Locais urbanos circulam muita gente, dando uma sensação de insegurança para o motorista amigo da carona.
Sem falar das saídas de muitas cidades, com periferias perigosas para qualquer cidadão. Nos grandes centros a melhor coisa a fazer é pegar um ônibus para uma cidadezinha próxima, onde possa descolar carona sem medo.

4) Carona com mochila nas costas

Mesmo estando cansado de carregar aquela mochilona pesada, na hora de tentar carona é bom fazer um sacrifício mantendo ela nas costas, pelo menos na primeira meia hora de espera.
carona2
- Eu sei desenhar. Dá carona?
O condutor que passar por você, acaba deduzindo que se trata de um viajante e não de um malaco qualquer querendo aprontar alguma. O tamanho da mochila também faz comover o motorista, pois muitos encostam para perguntar se está perdido ou precisando de ajuda.

5) Diga seu destino

Leve um caderno de desenho para escrever os destinos almejados, como se carregasse uma plaquinha indicativa. As caronas passam a ser mais precisas, sem a necessidade do caroneiro fazer muitas conexões.
Tome cuidado com o destino escolhido. Às vezes, em locais de pouco movimento, não é recomendado o uso dessa estratégia, pois pode restringir demais as opções de carona.

6) Leve um bom mapa

Decore todas as ruas e cidades da região onde você está. É comum o motorista parar e dizer que só vai, por exemplo, até o Cafundó do Leste. Se não souber onde fica tal fim de mundo, poderá perder caronas importantes e acabar não saindo do lugar.

7) Nunca fique parado

Se não está conseguindo ir para o lugar desejado, tente uma cidade mais próxima, uma carona curta, ou um outro ponto de carona.
caroneiro
Estou nesse mesmo exato local há 22 anos, 7 meses e 14 dias, seu fedelho mimado
Ficar muito tempo parado desperta olhares de curiosos e malandros, que sempre aparecem depois de certa hora, até mesmo nos lugares mais despovoados.

8 ) Conte com a ajuda dos outros

Na dificuldade, procure um posto de gasolina ou da polícia rodoviária. Converse com os frentistas e policiais sobre tua carona pretendida. A maioria vai querer te ajudar. Quando alguém parar para abastecer, por exemplo, tente uma abordagem direta.
Por mais que seja constrangedor, fale o que pretende, seja simpático e educado. Em lugares turísticos, fique de olho nas placas dos carros que estão estacionados. Perguntes ao guardador quais deles estão lotados ou com pouca gente. Seja cara de pau. Em cada quatro tentativas, uma dá certo.

9) Descole carona com antecedência

Chegando nos povoados e vilarejos, converse com o povo sobre as caronas que pretende fazer amanhã ou nos dias seguintes. Em lugares menores, todo mundo se conhece e é muito comum alguém lhe informar quem costuma ir para tal lugar com freqüência. Não é sorte e sim comunicação.

10) Esteja preparado para tudo

As caronas podem variar desde um confortável carro de passeio, com ar condicionado e companhias agradáveis, até pairar por caçambas sujas de caminhões e sinistros paus-de-arara.
pegando-carona
Pegar carona é um estado de espírito!
Sem humor e gosto pela aventura, dificilmente conseguirá viajar de carona com prazer, curtindo cada situação encontrada como uma nova experiência de vida. Mas cuidado! Depois da primeira trip com sucesso, você verá que pegar carona vicia e causa dependencia.


Extraído de: http://papodehomem.com.br/10-dicas-para-pegar-carona-o-resgate-de-um-estilo-de-vida/#comment-126947

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Adiós Pipa, que venga Natal!

Depois de descansar a beira mar, nadar com golfinhos, conhecer uma penca de gente legal e ver

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Saída de João Pessoa, chegada em Pipa

Fui para o terminal de integração que é em frente a rodoviária de João Pessoa.
Aproveitando que estava ali perto (e já me esquecendo um pouco, de que deveria ir de carona) fui lá perguntar quando era o ônibus até Goianinha (tem que ir até aí, e depois uma van baratinha até Pipa).
- ah ônibus, só direto até Natal. aí você pede pra descer em Goianinha.

O cúmulo do absurdo. Você tem que pagar a passagem inteira até Natal e descer na metade do caminho.
Indignado recuperei as energias caronísticas e decidi ir pra estrada.
Perguntei pra alguns taxistas ali como chegar na BR 101.
Tinha que pegar um ônibus intermunicipal mesmo até Bayeux (uma outra cidadezinha perto) e falar pro motorista avisar quando tiver chegando na Polícia Rodoviária.

Além da PRF ser um ótimo lugar para caronas já que ninguém se arrisca a passar voado por eles, nesse ponto, há também um quebra-molas. Salve salve quebra-molas.

Para se chegar a Pipa, deve-se antes ir a Goianinha e dali tomar uma van que custa R$ 3,00 e se pega atrás da igrejinha do centro.

Fiquei uns 20 minutos tentando carona, e para um cara num Uno caindo aos pedaços. Ele estava indo pra Natal e disse que me levava até Goianinha.

A carona foi meio tensa. O cara parecia que tinha cheirado todas e toda hora estava tendo falta de ar. Parecia que ia desmaiar a todo tempo.
- bebe água aí moço, vc tá bem?
- to bem. to bem.

E quando virava pra ele tava lá roxo sem ar.
Numa hora me distraí, escolhendo música do toca-discos, e o cara caiu numa cratera.
Preferia que ele estivesse dormido, cochilado. Mas não ele tava passando mal mesmo.
- Toma agua rapaz. se vc quiser parar, pode parar, to com pressa nao.
- nao nao.. to bem.
- QUE BEM O QUE. TOMA A AGUA AIH FI.

E ele tomou.
- arrgh... garganta seca... valeu valeu. na proxima parada gente para um pouco, tomar um café. e compro uma agua pra voce.

Ele pagou um café e duas garrafas de água pra mim.
A que ele comprou pra ele, terminou em 5min depois de sairmos com o carro.

Sem água, começou a passar mal de novo. Sorte a minha.
E lá se vai minha água, em prol da nossa integridade física, vamos hidratar o motorista!

Tres garrafas de água depois, e nenhum buraco pulado, ele me deixa em Goianinha.

Dali fui procurar a van atrás da igreja e 30min depois já estava em Pipa.


***

Pipa. De noite, com mochilão nas costas, rua lotada de gente.
Pipa se parece com Búzios e sua rua das pedras, mas é mais roots. Mais hype. Mais linda.

Fui a um orelhão tentar falar com a Raquel. A menina que ia ficar na casa da Ellen em João Pessoa, mas que acabou ficando numa pousada mesmo. Sem cartão, liguei a cobrar. No meio do tuuu-tuuu-tuuu, desisti.
"Pô, sacanagem ligar pra ela a cobrar". Fui comprar um cartão de orelhão.

Visivelmente perdido, caminhando por Pipa, quando:

"Ronan?"
E vejo alguém dando meia volta. Era a Raquel! Me reconheceu pela foto do meu perfil do couchsurfing e - mais ainda - pela minha cara de perdido.

Gente finissima, me levou até uma pousada barata e arrumadinha, Vera my House (adorei o nome pra gringos) onde ela e o povo do carnaval de Recife estavam, antes de mudar pra uma em frente a praia. Só que nessa em frente a praia não havia vagas. Solução foi eu ficar na Vera. Negociando, fechei por R$ 20,00 mais café da manhã.

Deixei minha mochila por lá. E fui pra pousada em frente a praia.
O povo todo do carnaval de Recife estava lá. Uma espanholas e uma inglesa que estavam estudando na USP, Rocío, Ana e Reene. Marco o italiano - que mora em Barcelona - com espírito de Don Juan. Tito, um natalense que mora em São Paulo e que dividiu apê com o Marco na espanha. A Martina, uma austríaca que está viajando sozinha pela América do Sul, e a Raquel.

As meninas fizeram crepes, e Marco, sangria.
Pela sangria (e pela atuação Donjuanística de Marco) conhecemos duas chicas de Porto Alegre, Darliza e Dani. Que ao princípio se mostraram um tanto blasé, mas depois, encantadoras. E o parecer não foi juízo pós-sangria. Portoalegrenses muito doidas: "ahhh ninguém conhece a gente mesmo aqui uai! rio grande do norte!! uhulllll!!" e saíam dançando forró, hora air-forró ou com quem aparecesse.

A noite em Pipa é internacional. Se você ao menos não maneja bem o inglês, você ainda pode usar a desculpa da linguagem universal (loooove, looooove... love is all you need) e tentar um approach.


O lance é tomar cerveja na rua, calibrar. Se estiverem por lá, comprem com a tia da cerveja. Ela é gente fina e vai te contar muitas histórias de Pipa antes do boom turístico. No final ainda ganhei duas cervejas. Sabe como é né... ajudei no marketing... e a segurar o guarda-chuvas, no toró que caiu lá.

No sábado a noite bomba. Tem bar de samba, bar de rock, bar de eletro e bar de MPB.




Só sei que sem nem ao menos ver o mar - e olha que mar pra mineiro é importantíssimo - já me apaixonei, de cara, por Pipa.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

João Pessoa

Com alguns percalços, cheguei a Joao Pessoa.
Se a temperatura for subindo dessa maneira, eu chego cozido al dente em Fortaleza.

O Raphael deixou eu e o Aaron nos Correios de San Martin pra gente tentar o esquema que o César (o caminhoneiro que me trouxe até Recife) havia falado.
Ficamos uma hora esperando algum caminhão sair e nada.
Resolvi ir lá perguntar se ia demorar muito até algum sair pro Rio, e o cara disse que naquele dia não sairia nenhum ao Rio. Só até Salvador.
Tentei convencer o Aaron a ir até Salvador, falando das maravilhas da Bahia (e das baianas) mas ele tava na correria e preferia ir direto até o Rio.

Vamos para a rodoviária. Dividimos um taxi com mais um senhor que tava no ponto, depois de uma hora esperando o onibus pro terminal integrado.
O motorista foi me assustando por todo o caminho:
- ali onde vc ta pensando em pegar carona, mataram uma alemã ontem. dois motoqueiros. ela tava indo pra joão pessoa.

Roube o carro, celular, bolsa, o que for, mas pra que matar! É foda...

Vou de onibus, decidido. Por força maior.

Peguei o onibus das 19:15 pra Joao Pessoa, e o Aaron foi pro Rio as 19:30.

Só depois que cheguei na rodoviária aqui, é queme dei conta que nao tinha o endereço nem o telefone da Ellen.

Perguntei por alguma lan house, mas já era mais de 22h, dificil encontrar alguma aberta.
- nem no shopping?
- nem. shopping já tá fechando.

Cogitei dormir na rodoviária. Mas veio uma luz! Liguei pro André lá em Juiz de Fora, passei meu login, senha, pra ele ver se ela havia respondido meu e-mail com os seus dados. E voilá!

Liguei, e ela atendeu toda simpática falando que eu podia ir pra lá.
- é perigoso?
- é. vou mentir nao.
Como eu adoro isso.
O terminal de onibus interurbano é logo do lado de fora da rodoviária, e pra me deixar um pouco tenso (nao sou medroso, algumas vezes fico tenso, e só) tinha dois colchoes pegando fogo bem na calçada em frente ao terminal integrado, e aquele povo meio do mal que habitam os arredores de toda rodoviária do mundo. Perguntando ao povo punk mesmo, perto dos colchoes em chamas (eu que nao ia tirar maquina ali pra bater foto... mas estava um clima meio Fallout), soube que eu tinha que pegar o 306-Mangabeiras.

Cheguei na casa da Ellen, e ela é super gente boa. Me recebeu com uma cervejinha e já me encantei pelo gosto musical dela: Chico, Bethania e Caetano.
Vou mostrar Tom Zé pra ela conhecer, certeza que ela vai gostar.

Amanha ainda chega mais visitas aqui pra ela, uma carioca e um povo de Portugal.
Agora é guardar energia porque amanha tem um forró pé de serra famoso na regiáo. Bora lá gastar sola.


Obs.: tá tao quente aqui que nao to conseguindo raciocinar muito bem. No duro.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Recifeando e Olindeando

Recife, o carnaval e os pernambucanos são incríveis.
Quero morar aqui quando eu crescer.
Maguebeat, maracatu, frevo.
Olinda.
RECbeat.
Rua da moeda, da guia, do bom Jesus.
O marco Zero.
Brennand.
Paço da alfândega.
Os arrecifes.
Praia de Boa Viagem.
O mar cheio de tubarão.
E o carnaval mais raiz que já vi.


Depois da Ana Paula, fiquei na casa do Raphael do couchsurfing, e não poderia ter sido melhor. A família dele é super gente boa, e o Andrew, um gringo gente fina que fala português com sotaque de pernambucano.
No segundo dia chegou o Aaron, um texano que ficou por aqui também. Que se enrolava todo pra chegar nas meninas, já que não fala nada de português. Boas companhias pro carnaval.

Uma coisa é certa, é impossível encontrar com alguém se não se está na mesma casa durante o carnaval.

Depois de milhões de créditos gastos, centenas de mensagens enviadas e recebidas e desencontros (é rapaz, Olinda é complicado) encontrei com o memorável Moura só no show do Nação Zumbi no pólo da Várzea.
E perdido um outro dia na ladeira dos cearenses (085) em Olinda.

O André, um amigo de Buenos Aires, se complicou e não pode ir para o Carnaval.

Em breve tô chegando em Fortaleza, ainda vão me aturar por mais um tempo.

Mas antes de Fortaleza ainda tenho um longo caminho a seguir... tenho que pensar no próximo destino: João Pessoa.



Mosteiro de São Bento, Olinda.











Em sua esperada volta, Jesus compra caipirinhas.











 Muita gente. Muito calor. Muita doidera. Muito de tudo!










Alguns dos Borats que invadiram o carnaval de Olinda.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

RECIFE!


Finalmente Recife!
O César me deixou num bairro longe lá. E peguei um busão pro Centro.


Tava super de boa pra sair caminhando por aí. Até que conversei com um cara no ônibus que peguei pra vir ao centro:
- é desce aí no ponto, vai pela avenida guararapes, e vc vai ver o predio dos correios, aí atravessa a ponte (do galo) e já ta no centro.
- valeu mesmo cara.
- mas toma cuidado. se opovo gritar. "arrastão!" tu sai correndo e entra numa loja.
-... (engoli seco) ok.

Agora tô aqui, tentando falar com minha mãe, esperando alguém gritar "arrastão!", pegar o endereço de uma amiga dela, ir lá tomar um banho. E ver que diabos eu vou arrumar agora que tô na capital do frevo! Momentaneamente sozinho!



Estou decidindo também, se fico por aqui mesmo, esperando o Mamão e o Moura chegarem, ou se vou lá pra Fortaleza. Ou pra Natal.
E volto quando eles chegarem.

Quero deixar a mochila em algum lugar. Pra já começar a aproveitar aqui. O bicho tá pegando. A cidade tá parada. E o frevo rolando solto!

Amanhã show do Jorge Ben, Cordel e Zé Ramalho.


O problema agora é achar essa amiga da minha mãe mesmo. O Couchsurfing me deixou na mão... Tá congestionado. Sem sinais de que volta logo. :(

Fotos, ponho logo. Esqueci o cabo da camera e o adaptador do cartão. Show né.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Carona até Feira!

Filtro solar e plaquinha de Vitória da Conquista em mãos.
Em uma hora parou uma carreta.
Cara tava indo pra Feira de Santana.
O Júnior Washington, baiano arretado que só a porra.

Aí que eu percebi que não fala baianês. O cara tinha que repetir três vezes, pra eu entender.

- rapaz tu é doido demais que só a porra. tu não tem medo não bichinho?
- nada cara... vou me arrumando aí. e a idéia é tentar chegar em recife antes do galo sair.

O galo. O famoso Galo da Madrugada.

- tá doido...

E ficou lá me chamando de doido a viagem toda. Falando naquele baianês que tava difícil de entender.
Mas já deu pra sacar o que ia me esperar até então, cada música mais doida que a outra. E um tal de Zezo foi tocando a viagem toda.


Logo na arrancada saindo de Valadares, o caminhão já mostrou que ia dar trabalho a viagem toda.
Parou na subida, e o Jr. teve que deixar ele voltar de ré, pra arrancar de novo.

- rapaaaaz. esse caminhão parece que vai dar a doida.

E deu mesmo. Em quase toda subida larga tivemos que voltar, pra arrancar de novo.
Ou subir de terceira, a 5km/h. Agilidade pura e total. Desse jeito ia chegar em Feira uns 3 dias depois.

Chegamos em Itaobim e o caminhão decidiu morrer de vez por ali. Falha no sistema do botão que precisa apertar pra marcha descer.
Solução, dormir por ali mesmo. E esperar para que a carreta reaja, no outro dia, pra gente tocar viagem.


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