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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Networking



Bebendo na casa de amigos, falávamos e contávamos da vida.

Falei da minha viagem de carona pelo Nordeste e do meu inusitado retorno:  um amigo, ex-vizinho me encontrou na estrada e me trouxe de Feira de Santana até a porta da minha casa em Muriaé.

Alguém disse:

"Tá vendo! Foi Jesus!"

Retruquei:

"Que Jesus que nada! Isso é NETWORKING!"

Porque afinal, tudo é uma questão de quem você conhece.

domingo, 19 de setembro de 2010

Lucien Freud e Francis Bacon




"Eu pinto pessoas", disse Freud, "não pelo o que elas são, não exatamente como elas são, mas como elas vieram a ser."

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Gastronomie

Depois da grande e divertida loucura que foi caronar pelo Nordeste, afastei-me de viagens crazy, e invariavelmente do blog pelo motivo do retorno às aulas. Estudei como um cão.

Claro, um blog de viagem não se faz, necessariamente, ao se estar em trânsito. Mas estava ralando na facul, e sem tempo pra qualquer coisa não-jurídica.

Retornei com esse post, porque semana que vem agora sigo para Ouro Preto. Com dois franceses que estou hospedando aqui em casa, dois gastronomistas que vieram estudar a exquisite culionarie brasiliéne e vão viajar pelo Brasil.

Alex e Xabi, duas pessoas fantásticas.


]

Vieram pra cá pra conhecer a culinária mineira, daqui vão pra Ouro Preto e depois Belo Horizonte, e depois seguirão para o Nordeste. Já cansei do comodismo do período letivo e como uma visita a Ouro Preto, nunca faz mal a ninguém... irei também. De carona, lógico.

Mas já que os dois são gastrônomos, falemos de comida, no momento.

Eu sou chegado a cozinhar. A questão é que ninguém é chegado no que eu cozinho. O que me torna um apreciador (?) solitário das minhas incursões gastronômicas. As vezes compro livrinhos em bancas, esses de culinárias de países e arrisco alguma coisa mais ousada do que sopa de ervilha ou caldinho de inhame.

Recebi os dois com um duvidoso autêntico cuzcuz nordestino! Que comi horrores em Natal, e adorei.
No meu mundo doentio, constatei que apenas por comer, absorveria as habilidades do preparo, excluindo inclusive a necessidade de uso da cuzcuzeira. Obviamente,não saiu nada agradável, e nos dispusemos a comer apenas quando estávamos muito bêbados.

Eu e minha culinária atípica.

Para completar a noite, a que não tem perna mas dá rasteira, Pitú, nos fez esquecer (se fez!) do meu fracasso no fogão.

Mas eu ainda podia contornar a situação, e ser
Tendo dois gastrônomos franceses em casa, me senti na obrigação de levar - compulsoriamente - meus guests a uma imersão na minha alimentação do dia-a-dia.

Sempre que conseguíamos levantar antes das 14h, almoços no Restaurante Universitário. Infelizmente fomos surpreendidos em um dos dias pelo infame cozido Húngaro (o que faz eu ter uma péssima imagem da alimentação na Hungria.

E pela noite, uma autêntica gastronomia universitária, ora preparado por mim, ora nos bares mesmo.

Como por exemplo:

O TORRESMO DO BIGODE.

O torresmo do Bigode merecia um tópico a parte pela sua enorme crocância, e paradoxalmente, suculência,  e alto teor de lipídios.
Não sei o que diabos eles fazem com aquele torresmo, alguma reza forte, um ritual específico ao ceifar a vida do suíno, mas a gordurosa e nada saudável iguaria é inacreditavelmente delíciosa.

Mas nem só de torresmo vivemos (por mais que queiramos), e aproveitando esse post gastronomique, listo coisas obrigatórias para comer em Juiz de Fora. Se você não comeu, corra e mergulhe no pecado mais gorduchinho e prazeroso (depois da luxúria).

1. Pizza de queijo do futrica (véi! uma pizza toda de queijo! TODA! até a massa... enfim...)
2. torresmo de tira do Bigode
3. Costela ao bafo no Bar do Passarinho
4. Picanha na pedra do Las Lenhas
5. Pão de mel do Las Lenhas (o melhor do mundo)
6. Bolinho de bacalhau do Bigode
7. Ovos mexidos com bacon da Maxi Pão
8. Vaca atolada no Prócopão
9. Mexidão clássico do Galdino
10. quitutes variados na feira de domingo da Av. Brasil (6 empadinhas por 1 real. 6!!!)

Ó gula!

Que venha Ouro Preto - e as coxinhas de frango do Barroco!

Enquanto isso seguiremos com Baco e uma majestic cuisine.

sábado, 10 de abril de 2010

Coliseu, Kombi e Tierra del Fuego

O que levam pessoas a realizarem grandes viagens?
Viagens que aos olhos da maioria soariam como desconfortáveis, cansativas, absurdas, são na verdade muito prazerosas e verdadeiras comprovações que a melhor escola é a vida, para quem as realiza.

Ao entrar na faculdade, nas muitas vezes que andávamos por aí, bêbados sonhadores, por bares de Juiz de Fora e reuniões diárias no meu apartamento, divágavamos sobre a possibilidade de comprarmos uma Kombi ao término da faculdade, e viajarmos com a nossa possante, a nossa La poderosa pra galerão para a terra dos alfajores e de el Diego, Argentina. Mais especificamente, para o extremo sul da Argentina, la Tierra del Fuego.

A idéia adveio da alcoolizada formação do COLISEU - um coletivo que sinceramente não funciona, e no qual nos empenhamos - somente - em efusivas discussões sobre mulher-futebol-política (necessariamente nessa ordem) e eventualemente alguma coisa sobre direito (que não continua tão lindo mais, quanto nos parecia no primeiro período).

Seria simples a empreitada.

Cogitamos abrir uma conta, na qual todo mês cada um depositaria a sua parcela. Coisa pouca, algo em torno de R$ 50,00.
No final, com o valor pretendido daria pra comprar uma Kombi 84, e mais uns acessórios como churrasqueira, uns bancos, mesa, redes, barracas, um som bacana.
Prosseguindo na idéia da conta, Mamão propôs, que com o dinheiro aplicado, poderíamos ir realizando investimentos - inclusive de risco - pra tentar multiplicar os parcos recursos, e quem sabe, ao fim, a Kombi desse lugar a um confortável micro-ônibus (até uma van escolar tava valendo).

Ninguém tinha a idéia romantizada da viagem de Kombi pela América Latina. A questão era justamente ser um meio para chegar.
Não tinha que ser especificamente uma Kombi, a Kombi surge do fato de não termos um puto qualquer no bolso, e associada a isso, encaixar no quesito grande caixa sobre rodas pra caber muita gente e tralha.

Mas cada vez que íamos - bebâdos e sonhadores - pensando mais na viagem, a idéia romantizada da Kombi, enchia nossa imaginação.
E de uma simples necessidade fática devido as nossas  inexistentes escassas finanças, a Kombi passa a fazer parte da viagem, como uma personagem a mais. A viagem tinha que ser de Kombi. E não qualquer Kombi, mas aquela de duas cores, ícone clássico dos anos 60 e da contracultura.


Separadamente, íamos buscando pela internet relatos de alguém que tivesse realizado tal viagem. E quando nos reuníamos, proponíamos uma coisa ou outra ao roteiro.

Até que... os semestres passaram voaram. E nossa promessa não vingou.

A faculdade está no fim, e nada da nossa sonhada Kombi e da nossa viagem crazy até o extremo sul da Patagônia.


Na medida que vamos crescendo, crescem-se as responsabilidades, mas o que nos impede de realizarmos uma vontade?
O que nos faz persistir dizendo "eu tenho vontade de" e nunca efetivamente realizar, concretizar a vontade em feito.

Só se vive uma vez. E nem adianta pensar que a vida é longa, que dá tempo de fazer muita coisa.
Na verdade não.


As pessoas criam expectativas em torna da gente, e essas expectativas te enredam como visgos.
Te aprisionam, e não te permitem sonhar, nem viajar (no sentido que preferir), nem ser o que se é.



Alguns relatos inspiradores de viagens inspiradoras:

5 amigos terminaram a faculdade e decidiram, fazer uma viagem de bicicleta de Beijing até Paris.
http://www.fueledbyrice.org/route.html

O grande aventureiro brasileiro, o economista, Amyr Klink, realizou a travessia do Atlântico sul num barco a remo. A viagem levou 100 dias.
http://www.amyrklink.com.br/conteudo.php?page=biografia

O desconhecido Rubens Pinheiro que saiu de Salvador numa viagem de 18000km rumo a Nova Iorque.
http://www.ondepedalar.com/mobile/viagens_bike/relatos_viagens_bike/da-bahia-a-nova-iorque-de-bicicleta.html

quarta-feira, 17 de março de 2010

6000km



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6000km percorridos.  35 dias na estrada.

Porque valeu?
A priori, foi um mês que tirei pra mim. Para viajar por viajar. Sem luxos. As vezes com um dinheiro a mais, as vezes sem dinheiro algum. Indo para o onde o vento me levasse, ficando o tempo que cada lugar pedia. Pode ser piegas, mas boa parte de tudo isso foi para refletir mesmo. E assim me conhecer.

Viajei pelo sertão da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Ceará, conheci a terra do Lulita, Garanhuns (que fica na serra e faz um frio danado) e me perdi de encanto pelo Velho Chico - e entendi o fascínio que gerado por ele - com suas águas verdes e seus cânions ocres.
Experimentei o carnaval de frevo e maracatu no Recife, e da tradição das fantasias e ladeiras de Olinda.

Valeu demais por experimentar a tapioca de carne de sol em João Pessoa, por nadar com golfinhos e pela falésias intermináveis de Pipa, caminhar por Ponta Negra e subir as dunas de Genipabu em Natal, me matar com Pitú em Mossoró, pelo samba, chorinho e caranguejos de Fortaleza e o universo paralelo - e aquela vontade de ficar pra sempre - proporcionada por  Jericoacoara.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

2322km rodados, 10 dias na estrada.

Dez dias de viagem.
[5 só pro carnaval... hehe]
2322 km percorridos.
Nesse mapa dá pra ver mais ou menos por onde estou passando.

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