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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Missão Ouro Preto: 2o dia

2o dia - BARBACENA - CARANDAÍ - LAFAIETE - OURO PRETO (!!!)

BARBACENA - CARANDAÍ

Não foi nada - nada! - confortável dormir no banco da rodoviária. Eu não consegui dormir, toda hora acordava com o barulho do papel alumínio gigante do Alex. E o frio! Muito frio! As minhas roupas não davam conta. E ficava com medo de alguém levar nossa pinga.

Levantava, fumava um cigarro e pulava para me aquecer. Xabi e eu decidimos procurar um hotel. Sim, no dia seguinte teríamos toda uma Ouro Preto pela frente, de doideras, repúblicas, muitas coxinhas do Barroco, pinga com mel e etc. Vários etecéteras mais que pesaram no quesito "Amanhã vamos estar fodidos e dormir o dia todo".

Achamos uma birosca aberta, e perguntamos se conheciam algum lugar onde poderíamos alugar um quartinho (no dia seguinte pagaríamos).

- Tem um lugar alí ó, em frente a rodoviária, só chegar alí e gritar, que eles abrem.

Ok. Fomos lá. O cansaço, a fome, as costas partidas em dois fizeram com que nunca desejássemos tanto uma cama. Não uma cama, qualquer lugar fechado! Sem vento! Sem frio! Podia ser um jornal no chão! Um jornal no chão num lugar fechado.

30 minutos. Ninguém! Tampei pedrinhas no vidro. Ninguém! Estávamos fodidos. O jeito era sofrer. Sofremos, mas com dignidade por mais uma hora.

Decidimos ir ao centro, era longe, mas assim ao menos aqueceríamos o corpo.

Achamos um hotel, mas já tínhamso perdido o sono mesmo, queríamos algum lugar quente só. Entramos pra nos aquecer. E não é que tava quentinho lá dentro...

E o cheiro de café da manhã sendo preparado... mesmo imaginando ser caro, perguntei:

- tem como tomar café da manhã sem estar hospedado?

- tem uma taxa... 5 reais.

R$ 5,00 ! Muito barato!

Tinha muita coisa! Tinha esquecido o quanto são bons os cafés de hotéis!

De estômago cheio já podíamos seguir viagem.

LAFAIETE - OURO PRETO

 

...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ouro Preto (fail) again

Puta que pariu!
Como eu poderia imaginar que três caras conseguiriam chegar facilmente em Ouro Preto!
OBVIO QUE NÃO!!
Totalmente fail!

A viagem mais cansativa de carona do século!
Chegamos sim, mas sofremos!
A gente sofre mas se diverte, porém... creio.

Ah mas estamos em Ouro Preto... agora só alegria.
Dois dias para chegar aqui...
Pô vai parecer que eu escrevo essas coisas para desmotivar as pessoas a viajarem de carona. Não! É super sustentável e você ainda faz amigos.

Mas lembre-se que sempre se conta com um tanto de sorte. Um conjunto de fatores, obviamente, auxiliam numa maior sorte. Um deles, não é viajar a três.
Resumindo um pouco a pequena saga: JUIZ DE FORA - OURO PRETO

1o dia - JF - BARBACENA


Primeiro, acordamos muito tarde. Chegamos no ponto de carona umas 3 e meia da tarde, no posto Graal, depois do bairro Barreira do Triunfo. É muito longe, então demoramos um tanto no ônibus. Teríamos que sair dali num carro direto para Ouro Preto, antes que escuressesse ao menos.

Uma hora depois, de muito revezamente no dedão (de vez em quando um da gente ia se esconder... essa tática funciona) decidimos os três tentarmos ao mesmo tempo, porém em pontos diferentes da estrada.

Fucionou! Um carro parou, perguntei se poderia levar mais três. O cara disse que sim, só que não teria lugar para as malas. Enlatados, seguimos.

Chegamos e já estava quase escurecendo. Foda, três caras, de noite! Nunca parariam. Mas esse pensamento tinha que ser eliminado. No fundo acredito na Lei da Atração, é uma baboseira gigantesca... mas tenho que acreditar nessas situações para não me desmotivar!

Não sabíamos direito onde pegar carona, ficamos no Nosso Pão de Queijo, mas nada. Nem caminhoneiros nem nada. Três caras! De noite!

Eu nunca pararia! Aí outro ponto importante a se pensar, que utilizo quando pego caronas. O pensamento simples e lógico: "Eu pararia o carro para mim?".
Por muitas vezes a resposta é Não. Mas tento não parecer na maior parte das vezes que sou um marginal ou assaltante. Sorria sempre, e faça a barba.

Custamos a compreender que estávamos fodidos.
Num ponto longe do centro, sem dinheiro e eu com um celular novo, sem meus contatos (havia perdido após uma festa na qual fui de Gandhi).

Fail. Totally fail. A hundred times fail.



Insístiamos em vários pontos da rodovia. E a hora ia passando.
Havia algumas putas por perto, e algumas vezes quando um caminhão parava, iludia-me que era para nós. As putas tinham uma grande vantagem.

Tínhamos duas opções.
Pegar um ônibus até Lafaiete, e de lá pra Ouro Preto.
Dormir por lá, e sair no dia seguinte bem cedo.

Abandonamos a idéia de caronar definitivamente.
E eu que queria incutir a sustentável idéia de viajar de carona no Alex e no Xabi, fui bastante eficiente no oposto! Acho que nunca mais iriam caronar pra qualquer lugar que seja.

Mas, sempre digo, caronar é incerto!

Fomos para a rodoviária, que ficava ali pertinho.
E para a minha pergunta de quando sairia o próximo ônibus para Ouro Preto ou Lafaiete, a resposta: "meu querido, só amanhã."

Ótimo.

A primeira e mais segura e confortável opção já estava completamente descartada.
Teríamos que trabalhar, agora, a segunda para que ela se tornasse também uma opção confortável, e acima de tudo segura.

Eu havia perdido meu celular algumas semanas atrás (fui de Gandhi numa festa, sem bolsos... e me alcoolizei... tsc tsc) e o meu novo não tinha quase nenhum contato. E como não havia contado com o imprevisto (sempre conte com imprevistos!) não peguei o número de ninguém que morasse em cidades pelo caminho até Ouro Preto.

Solução temporária encontrada: Beber.
Teríamos muito tempo pra isso.

E enquanto isso, no Nosso Pão de Queijo esperaríamos alguém para abordar pessoalmente e perguntar se nos levaria.



Ninguém.

Dormir na rodoviária não é algo agradável. Definitivamente, mas é algo que pode ocorrer quando nos propomos a essa forma de viajar.
A a maldita rodoviária de Barbacena então é o lugar que mais faz frio em Barbacena!

E porque - maldição - não fazem bancos inteiriços! Os bancos eram aqueles de sala de espera, cadeiras independentes unidas por uma barra de ferro, cumprem efetivamente a sua real e única função que é servir de assento, mas para dormir é algo BEM desagradável.

Frio dos infernos. Meio bêbado com uma pinga terrível. E deitados em bancos de consultório.

Todos os meus casacos, duas calças e leves doses de Tangirú, me mantinha aquecido.

Alex, precavido, tinha uma manta metálica para emergências, e se enrolou naquele papel alumínio gigante.

Xabi se enrolou numa toalha de banho. E usava meu gorrinho peruano.

Chamávamos atenção.

Bêbados se aproximavam, um deles nos presenteou com balinhas. Ofereci um gole de Tangirú, mas ele disse que estava parando de beber, muito embora entregue pelo seu imenso odor de álcool proveniente da transpiração. Não devia gostar da Tangirú. NINGÚEM DEVE BEBER TANGIRÚ!

E nesse cenário, dormimos.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ouro Preto




Sempre é um prazer visitar Ouro Preto.
E a última vez que estive lá não foi diferente. Fui com a Mailys uma amiga da França que conheci em Buenos Aires na faculdade. Ela tinha chegado ao Rio com mais umas argentinas amigas, e me disse que gostaria de conhecer Minas. Claro, depois de ouvir muita propaganda positiva do meu estado querido. 
Eu sempre dou uma de lobbista de Minas Gerais.

Saímos de Juiz de Fora rumo à Viçosa de carona. Com plaquinha na mão, lá fomos nós pra saída do bairro Grama. Tá tá... seguir pela BR040 é melhor e mais perto, mas já estava acostumado a pedir carona por esses lados, e não estava muito afim de inovar.
E também porque aproveitaria a ida e visitaria um amigo de Viçosa, o Emílio.

Não é muito comum caminhões pararem nessa saída, mais carros mesmo. Mas dessa vez, atipicamente um caminhão parou. E lá fomos num caminhão do Bahamas.

O caminhão ia até Ponte Nova, mais perto ainda de Ouro Preto, a visita ao Emílio teve que esperar um pouco... Carona é carona né.

E o caminhoneiro super gente fina, viemos conversando bastante. Ele estava bem curioso no porque de uma francesa pedindo carona no Brasil... e na gente, que ficava falando espanhol o tempo todo. Expliquei que haviamos estudado juntos em Buenos Aires e que agora ela ia ficar um tempo por aqui no Brasil, e eu a estava levando para conhecer alguns lugares de Minas.
Conversamos muito do Lula (ele vai votar na Dilma!) e em viagens, e até o convenci a ir pra Bolívia nas férias dele. 

- Mas é barato mesmo esses países aí?
- É uai...
- Então eu vou então!

Em Ponte Nova, descemos no Bahamos, destino final do caminhão.
E lá fomos nós procurar a casa de uma amiga que estudou comigo em Viçosa, a Denise, DD ou DDzão. Já fiquei na casa dela uma vez lá, mas não fazia idéia onde ficava... Fui perguntar na praça se alguém conhecia a professora Marisa Godoy (a mãe dela, professora de quatro idiomas!). Não foi muito difícil, logo me indicaram direitinho onde era.

Foi um prazer ver a Denise de novo... Aproveitando que tinha internet lá, mandei uma mensagem pra um couchsurfer, o Celso, vendo se ele podia receber a gente lá. Mas até a noite ele não havia respondido. Estavamos sem casa e Ouro Preto. E indo pra lá do mesmo jeito. Parti do principio que certamente iriamos conhecer alguém no Barroco e desenrolar um pedido amistoso de abrigo...
A família dela é super gente boa, e os quatro cocker spaniel dela também. A mãe dela fez lanche pra gente, e colocou a Mailys pra dormir com um beijinho na testa... É, no fim das contas, decidimos ficar uma noite lá, já que já tinha escurecido.

Dia seguinte nem demoramos muito para conseguir carona, só tivemos que andar muito! Subimos e descemos um morrão até achar um quebra molas. Ahh lembra do Celso do couchsurfing? Então quando a gente tava indo pro ponto, ele liga pra gente! Super gente boa, falou que não tinha problema da gente ficar lá.
Tínhamos abrigo em Ouro Preto!

Fomos pro Barroco, meu bar preferido em Minas, e ficamos por lá esperando o Celso sair do trabalho... "Te encontro no Barroco" é o slogan do bar, e como goiabada com queijo, não poderia cair melhor.
Não chamo de casual, porque afinal, é o Barroco, mas lá encontrei com a Isabela, uma figura gente finíssima de Juiz de Fora, e ela e o Gabriel, amigo dela, foram uma das agradáveis companhias que tivemos nas nossas bebeções de pinga com mel e afins em Ouro Preto.

Afinal conhecemos o Celso, que apareceu por lá também. Super gente boa, camarada mesmo, e nos recebeu muito bem na casa dele.

Encontramos um grupo de franceses (loucos e insanos) lá também, cantando, gritando, e que parou o bar.
Eu gosto de gente assim. E lá fui eu gastar o meu pífio francês de livemocha e de filmes do Truffaut

Para a mademoiselle mais eufórica:
- le feu, sil vous plait.

 pra quê...
- PARLEZZZ FRANÇAIS?????
E começou a gritar e rir com os amigos dela, apontando pra mim... eu sem entender um nada. Definitivamente não falo francês.

Depois que descobriram que a gente tava com uma francesa também, ixi... melhores amigos.
Ganhamos muitas (muitas!) rodadas de caipirinha e depois ainda fomos depois pro terraço da casa do Celso (só os sobrevivente, alguns franceses cairam em combate, não é fácil acompanhar a gente!)... nos acabar com a pinga que eu tinha levado e umas cervejas que tinha lá.

No nosso último dia, encontramos com o Celso lá perto do trabalho dele e ele levou a gente até o ponto de carona. Na saída pra Lavras Novas. Fomos com um veterinário, Cristiano de Carvalho, a gata dela tinha parido, e ele tava levando os filhotinhos até Lafaiate, que nos mostrou um pouco da cidade (é tão pertim Lafaiete e eu não conhecia) e depois nos deixou na saída da cidade.

Não demorou 5 minutos parou um senhor que tava indo pra Leopoldina e nos deixou na estrada perto de Barbacena...

Alí fiquei um pouco preocupado porque era estrada, estrada mesmo, BRzona... não tinha nada perto, já estava meio tarde (em ouro preto haviamos ido pro ponto as 16h!) e eu comecei a cogitar a idéia de dormir por ali mesmo na varanda duma casa que parecia que não tinha ninguém...

Mas não demorou e parou um carro, um cara muito boca boa, que trabalha na usina de Angra...
Mal parou o carro e já foi falando...

- Agradece a mocinha aí porque eu nao ia parar não... deixar mulher na estrada é fogo... comigo nao tem disso não!
E com aquele sotaque carioca...

Fomos ouvindo os novos sambas enredos das escolas do Rio (o da União da Ilha, que ta voltando agora pro grupo especial tá muito massa), João Bosco e Toninho Horta Viemos falando de música boa, de viagens, e da filha dele (que é cobra criada nos computadores) de lá até Juiz de Fora, e a Mailys dormindo.

Ahh dessa viagem a Ouro Preto não da pra esquecer do Kênio... Kênio Maximiliano! Um guia gente boa que deu uma aula 0800 de história mineira e barroca na Igreja do Pilar e queria praticar o espanhol dele (que é perfeito). E nos explicou o curioso caso de Branquinha (Blanquita! espanhol... em espanhol...), uma cadela gigante (o cachorro mais grande de obeso que já vi) um tanto geniosa, que fala (??!) com as pessoas, e mora numa casa que fica com as portas abertas pra ela sair quando quiser e principalmente para ir à Igreja todo dia que tem missa.
Quando eu voltar lá ele vai me mostrar como funciona o garimpo na região, a paixão dele...
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