Voltei de uma viagem de 45 dias pelo Paraguai, Misiones, Corrientes, Buenos Aires, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, bem auto-reflexiva.
Num momento em que nos sentimos um pouco perdido, nada melhor do que se perder fisicamente, de verdade. E decidi sair por aí.
Segui para um estágio no Tribunal de Revisão do Mercosul em Assunção e fugi de lá. Daí foram encontros e desencontros e estudos empíricos para um documentário ue vou começar a gravar por Minas Gerais esse mês.
E em busca de experiências para o documentário-projeto do ano que vem, que a princípio soa como uma viagem insana, e que dentro da sua impossiblidade na sua execução, na verdade reside somente uma improbabilidade. Eu gosto de lidar com coisas improváveis.
Esse foi o trajeto que percorri:
E vou voltar a atualizar esse blog que esteve parado por um bom tempo, mesmo eu não tendo parado de viajar desde a última atualização.
Ultimamente venho trabalhado nas ideias e referências para os documentários e acho que uma boa coisa pode ser voltar a escrever aqui, e postar coisas que venho escrevendo e não postando.
Nunca deixei de escrever. Não faço isso bem, mas gosto de fazê-lo.
Aos poucos publicarei textos e fotos aqui.
E novidades sobre a execução dos projetos supra citados.
Que os bons ventos nos levem.
(Em busca de uma forma não convencional - e mais libertária - de levar a vida)
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
domingo, 18 de dezembro de 2011
Guia definitivo da carona - Parte 1
As formas de se viajar se limitaram muito nos dias atuais.
Com a disseminação da indústria do medo, viajar de carona se torna uma verdadeira aventura, para a maioria dos que se incursionam nessa empreitada, ou aos ouvidos daqueles que escutam relatos de viagens feitas por outros.
É uma aventura sim. Mas não tão arriscada assim.
Muito embora não se veja muitos caroneiros na beira da estrada, ainda é uma forma muito viável de se viajar.
Carona é uma das melhores maneiras de realmente conhecer a fundo um lugar.
Uma viagem de carona é uma excelente forma de imergir completamente na cultura de uma determinada região, permite a você conhecer lugares aos quais não visitaria de outra forma, te permite conhecer pessoas que possivelmente você nunca interagiria. O motorista pode ser um filósofo, um policial, um hippie ou um fanático religioso. Você então passará um tempo com uma pessoa a qual nunca imaginaria que um dia manteria uma conversa casual.
O caroneiro é um pedestre, e isso lhe dá muita liberdade. Apenas você e sua mochila!
Sem horários e complicações, apenas um objetivo a seguir, com toda a estrada pela frente.
Viajar de carona é umas das poucas oportunidades de viver uma grande aventura, numa época em que as viagens se tornaram bens de consumo, com milhares de opções de pacotes turísticos que te levam a ter uma experiência extremamente superficial, muito aquém do que se poderia realmente viver num dado lugar.
A fé na humanidade, de certa forma, se restaura. Por todo o mundo, pessoas distintas e desconhecidas te levarão adiante, te oferecendo um pouco de segurança, abrigo ou comida. Gentileza e cooperação são os valores despertados pela carona. Valores que não devem ser esquecidos pela sociedade.
Não somente somos tocados pela gentileza dos que decidem nos ajudar, mas também, de alguma forma mudamos essas pessoas. Nossas histórias, relatos, desejo de conhecer o mundo – e principalmente de mudá-lo – de uma forma ou outra servem como inspiração para as pessoas que encontramos pela jornada.
- Em breve, parte dois. Com dicas, conselhos sobre segurança e otras cositas más para não ficar uma eternidade engolindo poeira nos acostamentos.
As fotos são da comédia de Frank Capra, Aconteceu Naquela Noite (It Happened One Night) de 1934, com Clark Gable e Claudette Colbert.
Palavras chave:
dicas,
Guia da Carona
Barra de Valizas, Uruguai
Antes de começar a rotina de estudos dessas férias, me dei um tempo para viajar um pouco.
Sigo com dois amigos para Porto Alegre após o natal. De Porto seguiremos para Buenos Aires, com planos de chegar à tempo para o ano novo.
Porém, no trajeto rumo a Buenos passamos por tantos lugaras interessantes que foi impossível apressar a viagem. Dessa forma desfrutamos mais lugares, viajamos sem o estresse de ter que cumprir prazos e acabamos inclusive encontrando belas surpresas, como uma praiazinha a qual eu nunca havia ouvido falar.
Essa praia se chama Barra de Valizas, na província de Rocha no Uruguai.
Depois de atravessar a fronteira Brasil-Uruguai pelo Chuí, seguimos para Punta del Diablo.
Tá, lá é bonito e descolado, mas não me senti muito na minha praia. Sondamos pelas ruas se havia alguma praia mais legal por perto, e escutamos sobre Barra de Valizas. Numa comparação tosca Punta está para Búzios, assim como Barra está para Canoa Quebrada. Ou seja, muito mais interessante. Barra fica bem perto de Cabo Polônio (famoso ponto turístico uruguaio), e inclusive se pode ir caminando. Alguns turistas utilizam Barra de Valizas como cidade satélite para vistar Cabo, já que lá, os preços são superinflacionados.
Ruas de areia, dunas, luaus na praia, e um visual rústico e de paz.
Não tinha como não ficarmos ali para saudarmos 2011.
Com os amigos que fizemos no camping, preparamos a ceia e compartilhamos nossas bebidas (eu colaborei com tequilas que havia comprado no Duty Free). À meia-noite a maior parte das pessoa na cidade vão a praia, totalmente escura antes do espetáculo de luzes dos fogos.
Esse ano, o plano é o mesmo: sair de Porto Alegre e chegar à Buenos Aires.
Porém, se encontrarmos algum lugar tão encantador quanto Valizas pelo caminho (ou se a própria, nos atrapar, novamente) seguiremos nossas vontades.
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| Ruas de terra de Valizas |
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| Quintal da casa do Chiquito |
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| Chiquito, o dono da casa-camping |
Preços de camping nessa época do ano estão em torno de 150 pesos por pessoa.
Não é possível acampar na praia, dizem que há fiscalização. Não me arrisquei, mas conheci pessoas que fizeram isso tranquilamente. Inclusive em Cabo Polônio, onde dizem que a fiscalização é mais pesada.
Não estávamos dispostos a pagar 150 por pessoa, e procuramos outro lugar. Já de noite, atraídos por boa música e risos, encontramos uma casa, e descobrimos que um senhor - don Chiquito - alugava o quintal como área de camping.
Cobrava por barraca, 150 pesos. Ótimo preço, mas tinha os contras: sem banheiro, sem agua quente, sem chuveiro, sem área para cozinhar. Bares e restaurantes supriam a falta de banheiro e o banho com balde num poço ou com a boa vontade de vizinhos.
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terça-feira, 2 de novembro de 2010
Networking

Bebendo na casa de amigos, falávamos e contávamos da vida.
Falei da minha viagem de carona pelo Nordeste e do meu inusitado retorno: um amigo, ex-vizinho me encontrou na estrada e me trouxe de Feira de Santana até a porta da minha casa em Muriaé.
Alguém disse:
"Tá vendo! Foi Jesus!"
Retruquei:
"Que Jesus que nada! Isso é NETWORKING!"
Porque afinal, tudo é uma questão de quem você conhece.
Palavras chave:
Cotidiano
domingo, 3 de outubro de 2010
Matéria na Acessa.com
Jovem viaja de Muriaé a Jericoacoara, pegando caronas
O estudante de Direito, Ronan Bahia, queria passar o Carnaval em um acampamento do MST, mas terminou as férias no litoral cearense
Muita disposição e algumas placas com os nomes dos destinos foram suficientes para que o estudante de Direito, Ronan Bahia, fosse de Muriaé (MG) a Jericoacoara (CE), pegando caronas. A viagem foi feita no início de 2010, durante as férias da faculdade. A intenção era passar o Carnaval em um acampamento do Movimento dos Sem Terra (MST), na cidade de Frei Inocêncio, limítrofe com Governador Valadares.
"Chegando a Frei Inocêncio, percebi que os sem-terra já tinham se retirado. Estava perto do Carnaval e não tinha nenhuma programação. Entrei em contato com um amigo de Fortaleza, que me convidou para ir até lá. Como não tinha o dinheiro para a viagem, fui tentar uma carona." A aventura foi realizada sem que a família soubesse. Bahia pesquisou uma possível rota, com as principais cidades e confeccionou placas, com os nomes dos municípios.
"Então, fui para a cidade de Governador Valares, em alta estrada, e mostrei a placa que indicava Vitória da Conquista. Um caminhoneiro resolveu parar, às 16h, e seguimos a viagem." O percurso seria feito sem paradas, mas o caminhão — mais cansado que o condutor e o carona — precisou de um descanso. "Paramos em uma cidade chamada Padre Paraíso. O caminhoneiro esticou uma rede para ele dentro da carroceria do veículo e dormi também por ali. Acordamos cedo e às 10h ele me deixou em um posto fiscal, para pegar outra carona."
Em Vitória da Conquista, dois caminhões-cegonhas — carregando outros dois caminhões — pararam para dar carona ao estudante. "Eles já estavam levando um outro rapaz, que vinha de São Paulo. O caminhão de cima de um dos cegonhas virou a minha suíte. Fomos de Vitória da Conquista até Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana de Recife. De lá, peguei um ônibus até a capital do Pernambuco."
Já era quase Carnaval e Bahia foi direto ao shopping, em busca de encontrar um meio de ficar hospedado em Recife. Em uma lan house, o estudante buscou por ajuda de famílias que hospedam mochileiros, mas não teve sucesso. "Estava tudo lotado. Foi quando tive que ligar para a minha mãe. Ela tem uma amiga no Recife e conseguiu uma vaga nesta casa, por um dia." No dia seguinte, Bahia voltou a fazer contato com mochileiros e pôde se hospedar em outro local.
Galo da Madrugada, Praia da Pipa e enfim, Jericoacoara
O Carnaval estava garantido. "Fui ao Galo da Madrugada e experimentei um dos mais diferentes blocos que já vi. Passei também uns dias em Olinda e o Carnaval lá é fantástico." A folia terminou, mas a viagem prosseguiu. Em um carro de passeio, Bahia pegou carona para a cidade de João Pessoa. Conheceu a cidade e de lá partiu para o Rio Grande do Norte, com o objetivo de conhecer a Praia da Pipa, no município de Tibau do Sul. "É uma das praias mais lindas do mundo." No local, conheceu um italiano, uma austríaca e uma moradora de Niterói, que decidiram acompanhar Bahia na aventura.
Pegando mais uma carona, foi até a cidade de Natal. "O motorista foi tão generoso que fez um tourconosco pela cidade. Foi ótimo." De Natal partiram para Mossoró e de lá para Canoa Quebrada. O grupo foi se espalhando, mas Bahia seguiu determinado a chegar a Jericoacoara. Passou por Fortaleza, onde ficou hospedado por uma semana na casa de um amigo, e logo depois seguiu para Jericoacoara.
"A viagem foi fantástica. Visitei lugares que nunca teria oportunidade se fosse uma viagem normal. Conheci pessoas com quem jamais teria contato. Conheci um Brasil que o turismo convencional não explora. Viajei com um livro de história nas mãos e ia acompanhando os marcos de cada lugar. Esse estudo vai fazer diferença na minha vida, já que quero seguir a carreira diplomática. Preciso conhecer bem o Brasil."
Os locais visitados
Entre os locais que visitou, destaque para o Memorial da Resistência, em Mossoró, única cidade que resistiu a uma investida do grupo de Lampião; o Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza; as praias da Pipa e do Futuro, em Tibau do Sul e Fortaleza e a Usina de Paulo Afonso, movida pelo Rio São Francisco. Porém, a simplicidade dos cenários que percorreu foi o principal atrativo. "Nada como a Duna do Pôr do Sol, o entardecer no Sertão — que é o mais lindo do mundo — e, na cidade de Milagres [BA], a melhor loja de sucos já existente, com bebidas de todas as frutas nordestinas. O local sequer tem nome, mas vai ficar para sempre na minha memória."
http://www.acessa.com/turismo/arquivo/suaviagem/2010/09/29-ronan/galeria.swf
domingo, 19 de setembro de 2010
Lucien Freud e Francis Bacon

"Eu pinto pessoas", disse Freud, "não pelo o que elas são, não exatamente como elas são, mas como elas vieram a ser."
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Cotidiano
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