domingo, 18 de dezembro de 2011

Barra de Valizas, Uruguai


Antes de começar a rotina de estudos dessas férias, me dei um tempo para viajar um pouco.

Sigo com dois amigos para Porto Alegre após o natal. De Porto seguiremos para Buenos Aires, com planos de chegar à tempo para o ano novo.


Ano passado fiz uma viagem bem semelhante, com iguais planos de estar em Buenos Aires na noite do dia 31.

Porém, no trajeto rumo a Buenos passamos por tantos lugaras interessantes que foi impossível apressar a viagem. Dessa forma desfrutamos mais lugares, viajamos sem o estresse de ter que cumprir prazos e acabamos inclusive encontrando belas surpresas, como uma praiazinha a qual eu nunca havia ouvido falar.

Essa praia se chama Barra de Valizas, na província de Rocha no Uruguai.

Depois de atravessar a fronteira Brasil-Uruguai pelo Chuí, seguimos para Punta del Diablo.
Tá, lá é bonito e descolado, mas não me senti muito na minha praia. Sondamos pelas ruas se havia alguma praia mais legal por perto, e escutamos sobre Barra de Valizas. Numa comparação tosca Punta está para Búzios, assim como Barra está para Canoa Quebrada. Ou seja, muito mais interessante. Barra fica bem perto de Cabo Polônio (famoso ponto turístico uruguaio), e inclusive se pode ir caminando. Alguns turistas utilizam Barra de Valizas como cidade satélite para vistar Cabo, já que lá, os preços são superinflacionados.


Ruas de areia, dunas, luaus na praia, e um visual rústico e de paz.
Não tinha como não ficarmos ali para saudarmos 2011.


Com os amigos que fizemos no camping, preparamos a ceia e compartilhamos nossas bebidas (eu colaborei com tequilas que havia comprado no Duty Free). À meia-noite a maior parte das pessoa na cidade vão a praia, totalmente escura antes do espetáculo de luzes dos fogos.

Esse ano, o plano é o mesmo: sair de Porto Alegre e chegar à Buenos Aires.

Porém, se encontrarmos algum lugar tão encantador quanto Valizas pelo caminho (ou se a própria, nos atrapar, novamente) seguiremos nossas vontades.


Ruas de terra de Valizas

Quintal da casa do Chiquito


Chiquito, o dono da casa-camping
Onde ficar:

Preços de camping nessa época do ano estão em torno de 150 pesos por pessoa.
Não é possível acampar na praia, dizem que há fiscalização. Não me arrisquei, mas conheci pessoas que fizeram isso tranquilamente. Inclusive em Cabo Polônio, onde dizem que a fiscalização é mais pesada.

Não estávamos dispostos a pagar 150 por pessoa, e procuramos outro lugar. Já de noite, atraídos por boa música e risos, encontramos uma casa, e descobrimos que um senhor - don Chiquito - alugava o quintal como área de camping.

Cobrava por barraca, 150 pesos. Ótimo preço, mas tinha os contras: sem banheiro, sem agua quente, sem chuveiro, sem área para cozinhar. Bares e restaurantes supriam a falta de banheiro e o banho com balde num poço ou com a boa vontade de vizinhos.






Paul Theroux




“Google Earth, cell phones, and the Internet are all making the world seem smaller—but the illusion of close contact makes travel more important than ever.”
Paul Theroux

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Networking



Bebendo na casa de amigos, falávamos e contávamos da vida.

Falei da minha viagem de carona pelo Nordeste e do meu inusitado retorno:  um amigo, ex-vizinho me encontrou na estrada e me trouxe de Feira de Santana até a porta da minha casa em Muriaé.

Alguém disse:

"Tá vendo! Foi Jesus!"

Retruquei:

"Que Jesus que nada! Isso é NETWORKING!"

Porque afinal, tudo é uma questão de quem você conhece.

domingo, 3 de outubro de 2010

Matéria na Acessa.com

Jovem viaja de Muriaé a Jericoacoara, pegando caronas

O estudante de Direito, Ronan Bahia, queria passar o Carnaval em um acampamento do MST, mas terminou as férias no litoral cearense

Muita disposição e algumas placas com os nomes dos destinos foram suficientes para que o estudante de Direito, Ronan Bahia, fosse de Muriaé (MG) a Jericoacoara (CE), pegando caronas. A viagem foi feita no início de 2010, durante as férias da faculdade. A intenção era passar o Carnaval em um acampamento do Movimento dos Sem Terra (MST), na cidade de Frei Inocêncio, limítrofe com Governador Valadares.
"Chegando a Frei Inocêncio, percebi que os sem-terra já tinham se retirado. Estava perto do Carnaval e não tinha nenhuma programação. Entrei em contato com um amigo de Fortaleza, que me convidou para ir até lá. Como não tinha o dinheiro para a viagem, fui tentar uma carona." A aventura foi realizada sem que a família soubesse. Bahia pesquisou uma possível rota, com as principais cidades e confeccionou placas, com os nomes dos municípios.
"Então, fui para a cidade de Governador Valares, em alta estrada, e mostrei a placa que indicava Vitória da Conquista. Um caminhoneiro resolveu parar, às 16h, e seguimos a viagem." O percurso seria feito sem paradas, mas o caminhão — mais cansado que o condutor e o carona — precisou de um descanso. "Paramos em uma cidade chamada Padre Paraíso. O caminhoneiro esticou uma rede para ele dentro da carroceria do veículo e dormi também por ali. Acordamos cedo e às 10h ele me deixou em um posto fiscal, para pegar outra carona."
Em Vitória da Conquista, dois caminhões-cegonhas — carregando outros dois caminhões — pararam para dar carona ao estudante. "Eles já estavam levando um outro rapaz, que vinha de São Paulo. O caminhão de cima de um dos cegonhas virou a minha suíte. Fomos de Vitória da Conquista até Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana de Recife. De lá, peguei um ônibus até a capital do Pernambuco."
Já era quase Carnaval e Bahia foi direto ao shopping, em busca de encontrar um meio de ficar hospedado em Recife. Em uma lan house, o estudante buscou por ajuda de famílias que hospedam mochileiros, mas não teve sucesso. "Estava tudo lotado. Foi quando tive que ligar para a minha mãe. Ela tem uma amiga no Recife e conseguiu uma vaga nesta casa, por um dia." No dia seguinte, Bahia voltou a fazer contato com mochileiros e pôde se hospedar em outro local.
Galo da Madrugada, Praia da Pipa e enfim, Jericoacoara
O Carnaval estava garantido. "Fui ao Galo da Madrugada e experimentei um dos mais diferentes blocos que já vi. Passei também uns dias em Olinda e o Carnaval lá é fantástico." A folia terminou, mas a viagem prosseguiu. Em um carro de passeio, Bahia pegou carona para a cidade de João Pessoa. Conheceu a cidade e de lá partiu para o Rio Grande do Norte, com o objetivo de conhecer a Praia da Pipa, no município de Tibau do Sul. "É uma das praias mais lindas do mundo." No local, conheceu um italiano, uma austríaca e uma moradora de Niterói, que decidiram acompanhar Bahia na aventura.
Pegando mais uma carona, foi até a cidade de Natal. "O motorista foi tão generoso que fez um tourconosco pela cidade. Foi ótimo." De Natal partiram para Mossoró e de lá para Canoa Quebrada. O grupo foi se espalhando, mas Bahia seguiu determinado a chegar a Jericoacoara. Passou por Fortaleza, onde ficou hospedado por uma semana na casa de um amigo, e logo depois seguiu para Jericoacoara.
"A viagem foi fantástica. Visitei lugares que nunca teria oportunidade se fosse uma viagem normal. Conheci pessoas com quem jamais teria contato. Conheci um Brasil que o turismo convencional não explora. Viajei com um livro de história nas mãos e ia acompanhando os marcos de cada lugar. Esse estudo vai fazer diferença na minha vida, já que quero seguir a carreira diplomática. Preciso conhecer bem o Brasil."
Os locais visitados
Entre os locais que visitou, destaque para o Memorial da Resistência, em Mossoró, única cidade que resistiu a uma investida do grupo de Lampião; o Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza; as praias da Pipa e do Futuro, em Tibau do Sul e Fortaleza e a Usina de Paulo Afonso, movida pelo Rio São Francisco. Porém, a simplicidade dos cenários que percorreu foi o principal atrativo. "Nada como a Duna do Pôr do Sol, o entardecer no Sertão — que é o mais lindo do mundo — e, na cidade de Milagres [BA], a melhor loja de sucos já existente, com bebidas de todas as frutas nordestinas. O local sequer tem nome, mas vai ficar para sempre na minha memória."




http://www.acessa.com/turismo/arquivo/suaviagem/2010/09/29-ronan/galeria.swf

domingo, 19 de setembro de 2010

Lucien Freud e Francis Bacon




"Eu pinto pessoas", disse Freud, "não pelo o que elas são, não exatamente como elas são, mas como elas vieram a ser."

terça-feira, 31 de agosto de 2010

De Fortaleza à Muriaé



Cansaço. Muito cansaço.
Muito embora tenha visitado lugares lindos e diferentes de tudo que já vi, e  de ter conhecido pessoas fantásticas, chega um momento que é hora de voltar.


Levei alguns livros nessa viagem, mas sempre era mais interessante ler as paisagens fascinantes que se apresentavam ao menino acostumado a subir e descer as montanhas de Minas.

Em Fortaleza comecei a jornada de volta. O dinheiro, escasso, não permitia um luxo que eu havia planejado caso estivesse cansado para a jornada de regresso - como eu verdadeiramente estava.

Pois bem, sem dinheiro para o voo de uma empresa aérea, resolvi esgotar as possibilidades.
Fiquei sabendo da possibilidade de voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira. O processo de inscrição é simples, bastanto ir até a base da FAB mais próxima e fazer a inscrição no Correio Aéreo Nacional (CAN).

Infelizmente não havia previsão de voos próximos da data pretendida.

Voltar de carona seria então a opção.

Fui até a rodoviária, e lá conversei com motoristas de ônibus intermunicipais em busca de uma carona até um posto da polícia rodoviária na saída de Fortaleza. 

Nesse posto da polícia, os policiais que pareciam agradavéis (ganhei um almoço) se converteram em uns canalhas (na concepção nelsonrodrigueana), de olho na minha câmera e no meu celular.
Sair dali era algo de extrema urgência.

Com ajuda dos atravessadores de notas fiscais (os caminhoneiros utilizam-se de uns moleques que ficam na beira da BR para não terem de descer do caminhão e irem até o posto carimbar um papel) consegui um senhor que me levou até Feira de Santana, na Bahia.

Descemos pelo interior cearense, pela 116. Só  aí eu fui entender a Caatinga.

O Ceará é encantador... passando por pequenas vilas e cidades, me tomava uma súbita vontade de ficar naqueles lugares, mais uma semana, pelo menos. E bonito de ver como, sei lá, o tipo de vegetação do lugar, as pessoas, o clima, tudo, se encaixa tão bem, que a gente se sente muito confortável em passar por ali.

Desci no posto fiscal na saída de Feira de Santana. Me dirigi o quanto antes para a estrada.
Alguns minutos depois, um caminhão vermelho encosta, e escuto três buzinadas.

Ao me aproximar, a porta se abre e escuto:

- Porra, Ronan! Que está arrumando por aqui?

Era um antigo vizinho de Muriaé. Sua família era dona de um mercado de frutas, legumes e hortaliças ao lado de minha casa. E agora havia ganhado um caminhão, e fazia fretes em tudo quanto é canto do Brasil.

E naquele dia, ele passava por alí.
Me levou até a porta da minha casa em Muriaé.

E pude então tomar uma boa ducha quente...






Missão Ouro Preto: 2o dia

2o dia - BARBACENA - CARANDAÍ - LAFAIETE - OURO PRETO (!!!)

BARBACENA - CARANDAÍ

Não foi nada - nada! - confortável dormir no banco da rodoviária. Eu não consegui dormir, toda hora acordava com o barulho do papel alumínio gigante do Alex. E o frio! Muito frio! As minhas roupas não davam conta. E ficava com medo de alguém levar nossa pinga.

Levantava, fumava um cigarro e pulava para me aquecer. Xabi e eu decidimos procurar um hotel. Sim, no dia seguinte teríamos toda uma Ouro Preto pela frente, de doideras, repúblicas, muitas coxinhas do Barroco, pinga com mel e etc. Vários etecéteras mais que pesaram no quesito "Amanhã vamos estar fodidos e dormir o dia todo".

Achamos uma birosca aberta, e perguntamos se conheciam algum lugar onde poderíamos alugar um quartinho (no dia seguinte pagaríamos).

- Tem um lugar alí ó, em frente a rodoviária, só chegar alí e gritar, que eles abrem.

Ok. Fomos lá. O cansaço, a fome, as costas partidas em dois fizeram com que nunca desejássemos tanto uma cama. Não uma cama, qualquer lugar fechado! Sem vento! Sem frio! Podia ser um jornal no chão! Um jornal no chão num lugar fechado.

30 minutos. Ninguém! Tampei pedrinhas no vidro. Ninguém! Estávamos fodidos. O jeito era sofrer. Sofremos, mas com dignidade por mais uma hora.

Decidimos ir ao centro, era longe, mas assim ao menos aqueceríamos o corpo.

Achamos um hotel, mas já tínhamso perdido o sono mesmo, queríamos algum lugar quente só. Entramos pra nos aquecer. E não é que tava quentinho lá dentro...

E o cheiro de café da manhã sendo preparado... mesmo imaginando ser caro, perguntei:

- tem como tomar café da manhã sem estar hospedado?

- tem uma taxa... 5 reais.

R$ 5,00 ! Muito barato!

Tinha muita coisa! Tinha esquecido o quanto são bons os cafés de hotéis!

De estômago cheio já podíamos seguir viagem.

LAFAIETE - OURO PRETO

 

...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...